Cajú
Caju
Autor: Pierre Vilela
Considerado uma das identidades tropicais, o caju e o seu sabor peculiar podem ser mais explorados pelo Brasil
Nome popular da fruta: Caju
Nome científico: Anacardium occidentale L. Origem: América tropical Fruto: O caju possui duas partes: a castanha ou fruto propriamente dito e o pseudofruto (pedúnculo floral), que é a parte comumente vendida como fruta. São conhecidas cerca de vinte variedades de caju, classificadas segundo a consistência da polpa, o formato, o paladar e a cor da fruta (amarela, vermelha ou roxo-amarelada, dependendo da variedade). Planta: De grande variabilidade genética, o cajueiro é classificado basicamente em dois grupos, comum e anão, definidos em função do porte das plantas. É uma planta perene, de ramificação baixa e porte médio. O tipo comum ou gigante é o mais difundido, apresentando porte mais elevado e entre 8 e 20 metros de envergadura (diâmetro) da copa. A capacidade produtiva individual é muito variável, com plantas que produzem abaixo de 1 kg até próximo de 180 kg de castanha por safra. O tipo anão (Anacardium occidentale L. var. nanum) caracteriza-se pelo porte baixo – altura inferior a 4 metros –, copa homogênea, diâmetro do caule e envergadura de copa inferiores ao do tipo comum e precocidade, iniciando o florescimento entre 6 e 18 meses. Cultivo: A cajucultura, em geral, se caracteriza pela baixa produtividade (média de 30 a 240 kg/ha de castanhas e 60 a 450 kg/ha de pedúnculo), resultante, principalmente, do modo de formação dos pomares e pelo baixo uso de tecnologia nas principais regiões produtoras. O cajueiro comum é normalmente plantado no sistema de pequenos aglomerados, onde se pratica o consórcio com outras culturas, ou no sistema de grandes plantios puros (solteiro) e ordenados. Em ambos os sistemas, o nível tecnológico empregado é normalmente muito baixo, desde a escolha da semente ao tipo de plantio e tratos culturais. O uso de insumos modernos – defensivos agrícolas, corretivos de solo e fertilizantes – é restrito ou ausente. A recuperação da atividade no campo ocorre pelo uso de clones da variedade anã, os quais permitem não só aumento da produtividade como também a melhoria da qualidade da castanha para a indústria e o aproveitamento do pedúnculo, cultivados dentro das modernas técnicas de produção. Os clones permitem obter, após o 8º ano, produtividade média de 1.200 kg de castanhas/ha e 2.200 kg de pedúnculo/ha em regime de sequeiro, atingindo até 5.000 kg de castanha/ha e 9.000 kg de pedúnculo/ha sob irrigação. Além da maior produtividade, apresentam como vantagem o porte baixo, permitindo a colheita dos pedúnculos diretamente na planta, diferindo do cajueiro comum, onde a colheita é feita após a queda dos frutos. Com os atuais sistemas de cultivo, os produtores de caju necessitam de um período relativamente longo para recuperar parte do capital empregado na instalação e manutenção do pomar. Para reduzir este tempo, a adoção do cultivo adensado é uma alternativa, que proporciona rendimentos iniciais elevados e recuperação mais rápida dos investimentos com o pomar. O cajueiro-anão, devido ao porte baixo, precocidade e alto potencial produtivo, é recomendado para o cultivo adensado. Usos: O pedúnculo é composto de sais minerais, carboidratos, ácidos orgânicos e um elevado teor de vitamina C. Por apresentar um excelente valor alimentar e propriedades medicinais, é amplamente recomendado na dieta humana. Vários produtos podem ser obtidos a partir desta matéria-prima, como: suco, polpa, geléia, cristalizados, doces, glacê, cajuína, fruto ao xarope, vinho, fibra (bagaço ou farinha) dentre outras. Mercado: Apesar das suas propriedades e potencial de aproveitamento, verifica-se nas principais regiões produtoras grande desperdício (90%) do pedúnculo (pseudofruto), pois a maioria se dedica apenas à exploração do fruto (castanha). O mercado consumidor para pedúnculo “in natura” é crescente e exigente. A qualidade do pedúnculo de caju, para esse mercado, está relacionada, principalmente, com o alto teor de açúcar, baixa adstringência e a coloração externa. Embora tenha excelentes características, a aceitação do pedúnculo fora do Brasil é reduzida em função da elevada adstringência, causada pela presença de tanino. Taninos são grupos de compostos químicos de origem vegetal, que provocam na pele íntegra a sensação de adstringência ou “aperto”. Na literatura, são citados teores de tanino de 0,22; 0,28 e 0,58 g/100 ml, respectivamente, para sucos doce, ácido e adstringente. A cajuína é uma bebida não alcoólica preparada com caju, típica do Nordeste do Brasil. Em grane parte é produzida de forma artesanal a partir do suco do caju. O suco é filtrado e misturado à gelatina, que separa o tanino. Posteriormente sofre clarificação. O aproveitamento do bagaço do caju - produto com maior porcentagem de fibras do que seus similares – envolve a fabricação de biscoitos, pães, snacks e até bolos com alto teor de fibras. A maioria dos biscoitos e pães com fibras encontrada no mercado é produzida com a casca do trigo. Outra alternativa para o aproveitamento do bagaço do caju é a utilização na composição da ração para o gado e aves. O bagaço de caju pode ser utilizado diretamente na alimentação animal ou ser desidratado para uso posterior. No entanto, é necessário cuidado na formulação, para evitar prejuízos ao animal. Conforme estudos, a formulação da ração de ruminantes pode conter até 45% de bagaço de caju. Testes realizados com galinha caipira mostram que o uso de até 30% de bagaço na ração não compromete a produção de carne. |
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Fonte: SEBRAE/ES
Autor: SEBRAE/ES Formato: PDF Tamanho: 440643 bytes Notícias
Certificação vai elevar o valor do produto no mercado
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