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Aprisco

Ovino da raça Merino Australiano

Raça ovina Merino Australiano
Fonte: Aprisco
Raça que apresenta lã de excelente qualidade e elevado valor econômico, destinada à fabricação de tecidos finos
Raça que apresenta lã de excelente qualidade e elevado valor econômico, destinada à fabricação de tecidos finos. Adapta-se perfeitamente às condições de alta temperatura e vegetação pobre, em vista de seu pequeno porte e velo muito fino e denso, que funciona como verdadeiro isolante térmico.

A primeira importação de Merinos pela Austrália data de 1789. Eram 29 cabeças provenientes do Cabo, África do Sul. O progresso da criação de carneiros na Austrália foi tão grande que hoje aquele país possui o primeiro rebanho do mundo, da ordem de 185 milhões de cabeças. É o maior produtor mundial de lã: anualmente são contabilizadas cerca de 920 mil toneladas de lã bruta. Estes números significam que a Austrália possui aproximadamente 1/6 do rebanho mundial de ovinos e produz mais ou menos 1/3 de toda a lã, também insuperável pela qualidade.

A maior parte da criação está concentrada em Nova Gales do Sul, e o grosso da produção de lã é do tipo Merino. A Austrália importou Merinos de todas as variedades existentes: Electoral, Negrettis, Rambouillets, Vermonts etc. O Merino Australiano foi constituído pela amalgama dessas variedades, com as seguintes proporções aproximadas de sangue: 25% de Merino Espanhol; 40% de Vermont; 30% de Electoral e Negretti; 5% de Rambouillet francês.

Procurou-se desde logo suprimir as rugas e conferir maior vigor, melhorar as formas, a produção de lã e as qualidades necessárias a um bom animal de açougue. O tipo atual é um ovino de grande produção, rendimento econômico bem adaptado às condições naturais e ao sistema de exploração extensiva, com um velo de muito peso, e com uma lã extraordinariamente uniforme em finura e comprimento, cor branca característica e externa suavidade ao tato. O comprimento da mecha foi sem dúvida o fator determinante do aumento do peso em lã do Merino Australiano.

Existem na Austrália quatro tipos de Merino, segundo as características da lã que produzem: extra fino, fino, médio e forte.Os dois primeiros tipos são criados nos campos altos de Nova Gales do Sul, Vitória e Tasmânia; o terceiro tipo é criado nas planícies áridas e secas do Oeste de Nova Gales do Sul e Queensland; o quarto tipo, de dupla utilidade, é criado na região mais quente da Austrália Ocidental. Nas exposições, os quatro tipos são julgados em categorias diferentes.

Peso de acordo com o tipo: grande, médio e pequeno. No ovino grande, comprimento de 13,5 cm e finura de 26 a 28 micros. No médio, comprimento de 10 a 11 cm e finura de 22 a 26 micros. No pequeno, comprimento de 8 a 10 cm e finura de 14 a 20 micros. Lã sedosa, brilhante e de grande resistência, com ondulações uniformes e nítidas, desde a base até a ponta. A lã cobre bem e uniformemente todo o corpo, com exceção das orelhas, que são cobertas com pelos curtos e suaves e às vezes possuem manchas negras.

Sobre a fronte há uma mecha em roseta semicircular, bem densa, não devendo cair em mechas soltas. Fica descoberta uma zona de pelos brancos e suaves, que, partindo da base dos chifres, abrange o contorno dos olhos, todo o chanfro e focinho. As narinas e lábios devem ser rosados nas fêmeas, não se admitindo manchas pretas. A pele é muito fina, rosada, sem pregas, salvo no pescoço, onde são muito desenvolvidas e características. Os cascos são claros. Cabeça de perfil convexo, larga, tamanho médio, com a fronte bem arqueada.

Chanfro largo, quase direito, com duas ou mais rugas transversais. Orelhas curtas, grossas e carnosas. Olhos grandes, claros, brilhantes, descobertos. Boca pequena, com lábios fortes, bem superpostos. Os chifres, presentes apenas nos machos, são bem postos, corrugados, distanciados da face e espiralados para fora.Pescoço curto, musculoso, bem unido à cabeça e ao tronco. Corpo cilíndrico, com um comprimento maior que o duplo de sua altura. Cruzes um pouco mais altas que a linha das costas, bem unidas ao pescoço. Peito amplo e saliente, a caixa torácica grande, com costelas bem arqueadas e espaçadas, deixando ilhais curtos. Dorso e lombo direitos e largos.

Garupa redonda, em harmonia com o corpo, sem rugas e com cauda alta. Pernis bem descidos. O conjunto deve apresentar medidas médias e harmoniosas, dando impressão de perfeito equilíbrio entre as suas várias regiões. Membros de altura média, separados, bem aprumados, com ossatura não muito grossa, porém forte. Braços e pernas grandes. Cascos brancos, pequenos, bem colocados e de igual conformação. Os membros devem ser cobertos de lã de qualidade relativamente boa.

O Merino Australiano é um ovino essencialmente produtor de lã, porém os tipos médio e forte podem produzir bons capões, quando convenientemente alimentados. A lã forma mechas densas, quadradas, com suarda clara e não excessiva, fina e média, rendendo a elevada produção de 7 a 10 kg nos borregos, 9 a 19 kg nos carneiros de pedigree e 3,5 a 4,5 kg nas ovelhas dos rebanhos gerais.

O tipo de lã média é de pente e o mais fino de cardar. No Rio Grande do Sul, tem revelado rusticidade, suportando bem o excesso de umidade durante os períodos chuvosos de inverno. Os cordeiros são fracos ao nascer e exigem mais cuidados durante a parição, que deveria ocorrer nos meses de abril e maio, quando as condições são mais favoráveis.
Destinação: Pelo.
Clima mais adequado: Adapta-se perfeitamente às condições de alta temperatura, suportando bem o excesso de umidade.
Região mais adequada: Austrália, África do Sul e Brasil - Rio Grande do Sul.