EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

O empreendedorismo nas universidades brasileiras

Conheça os perfis de alunos, professores e instituições de ensino, as dificuldades de montar um negócio no ambiente acadêmico e as evoluções ocorridas no meio.

  • Educação empreendedora?

Novos tempos exigem novas posturas, principalmente quando é preciso vencer as barreiras da economia e do mercado de trabalho. E o empreendedorismo é um bom caminho para os profissionais dispostos a inovar e a aliar suas habilidades e conhecimentos à tecnologia e a meios de comunicação/interação como as redes sociais.

Contudo, será que as instituições de ensino superior estão preparadas para esse desafio? Estão prontas para orientar e incentivar a postura empreendedora tanto dos docentes quanto dos discentes?

Ao redor do mundo, centenas de universidades já reco­nheceram o papel e o poder da educação empreendedo­ra sobre a inovação e o desenvolvimento econômico dos países. É a vez de o Brasil entrar ativamente nesse movi­mento. Assim, é preciso estabelecer estratégias para multiplicar o número de universitários que criam empresas inovadoras e transformam os setores em que atuam, gerando milhares de empregos no caminho.

Conheça a seguir os principais pontos da pesquisa sobre o tema, que contou com a participação de 2.230 alunos e 680 professores de mais de 70 instituições de ensino superior do Brasil. Realizado pelo Sebrae em parceria com a Endeavor, o estudo procura auxiliar a formulação de estratégias de universidades e lideranças que trabalham com o assunto no Brasil.

Educação empreendedora?
  • Raio X dos alunos

A universidade deve potencializar e inspirar o empreendedorismo, o sonho gran­de e a inovação no aluno, a fim de gerar desenvolvimento econômico e social na comunidade. Porém, as instituições não estão atendendo às necessidades dos alunos: enquanto cerca de 65% dos professores estão satisfeitos com iniciativas de empreendedorismo dentro das universidades, a média de satisfação entre alunos é de 36%. Há sinais para explicar o descompasso.

Entre os principais problemas e dificuldades estão:

  • As universidades não têm uma estrutura que apoie a jornada completa do empreendedor.
  • A universidade está desconectada do mercado.
  • A atuação da universidade não estimula a inovação e o sonho grande nos alunos.

Atuação em conjunto com o mercado e com a comunidade

As universidades pre­cisam conectar os seus alunos com o mercado e com a co­munidade. É preciso interligar suas ini­ciativas a uma visão estratégica de mé­dio e longo prazo, visando a uma gama de atividades e espaços que acompanhem a jornada do empreendedor em um pro­grama robusto de empreendedorismo.

Porém, a universidade não demonstra ser ativa no mercado e na comunida­de, já que poucos professores são em­preendedores ativos e se atualizam por meio do contato com empreendedores externos à instituição de ensino, além de haver poucas iniciativas abertas ao público ou que envolvam agentes empreendedores da comunidade.

O impacto dos programas de empreendedorismo

Há uma relação direta entre cursar uma disciplina de empreendedorismo e o seu perfil empreendedor. Quanto maior o envolvimento com a temática empreendedora, maior a proporção de alunos que realizaram disciplinas do tipo. Cerca de 46% de alunos empreendedores já cursaram essas disciplinas, número superior ao de potenciais empreendedores (38,8%), por sua vez superior ao de alunos que não pensam em ter um negócio (24%).

Entre os alunos, observou-se:

  • O grupo que cursou disciplinas de empreendedorismo é o mesmo que pretende empreender nos próximos três anos.
  • Cursar disciplinas de empreendedorismo diminui as dúvidas e os desafios entre alunos empreendedores.
  • O aluno valoriza iniciativas empreendedoras em sua universidade.

Raio X dos alunos
  • Educação empreendedora?
  • Mestres e mentores

 

  • Cerca de um em cada quatro alunos tem ou quer ter um negócio próprio.
  • O universitário, no entanto, tende a demorar mais para empreender que o brasileiro médio.
  • Ainda assim, a maior parte dos alunos já esteve próximo de experiências empreendedoras.
  • Há uma relação direta entre essas experiências e a vontade de empreender.
  • Quem não quer empreender pretende trabalhar no setor público ou em grandes empresas.

Os desafios do aluno empreendedor

Em pesquisa feita com quem já empreende, pediu-se uma classificação dos maiores desafios. O empreendedor deveria qualificar em uma nota de 1 a 10 os desa­fios que vive diariamente, divididos em 10 categorias diferentes. As catego­rias em que a maior proporção de empre­endedores afirmou ter muitos desafios (notas 9 e 10) foram:

  • Acesso a crédito e/ou investimentos (22%).
  • Gestão de pes­soas (18%).
  • Gestão financeira (17%).
  • Inovação (17%).

Percebeu-se também que quem ainda não empreende tem percepção maior dos desafios, em comparação a quem já tem um negócio. 

Há uma percepção de que os desafios de empreender são maiores entre os po­tenciais empreendedores do que entre os próprios empreendedores. Entre 10 possíveis desafios do empreendedor, numa escala de 1 a 10, a média geral entre os jovens empreendedores é 5,1. Quando a pergunta é feita para quem quer, mas ainda não abriu um negócio, a média sobe para 6. Parece que alunos que ainda não empreenderam têm percepção de desafios maior do que os empreendedores.

Uma possível explicação é que, como os potenciais empreendedores não tive­ram a experiência e a vivência de empreendedores, realizam um diagnóstico impreciso da prática de empreender. Outra hipótese é a de que eles sejam menos confiantes que os empre­endedores e, por isso, ainda não abriram um negócio.

De qualquer maneira, essa percepção pode desmotivar potenciais empreendedores, e é possivelmente um dos motivos de parte deles nunca che­gar a realizar a vontade de abrir um negócio.

O potencial empreendedor, as­sim, precisa enxergar que os desafios para empreender existem e que correr riscos é não só necessário, mas também parte do processo de ter um negócio. Essa visão, no entanto, é mais clara quando as pessoas têm experiências práticas, algo que a univer­sidade poderia oferecer mais.

Mestres e mentores
  • Raio X dos alunos

A figura do mentor - alguém mais expe­riente que dá conselhos e compartilha experiências - é importante para trans­mitir valores, ideias, atitudes e ajudar na tomada de decisão dos empreendedores universitários. Na falta de apoio qualifi­cado nas universidades e em casa, é na­tural que jovens busquem pessoas com experiência para serem seus “gurus”.

Quase 60% dos estudantes donos de um negócio têm mentores, taxa supe­rior aos empreendedores em geral (52%, da pesquisa Desafios dos Empreendedo­res). Os empreendedores que cursam o ensino superior também valorizam mais o apoio, em comparação à média brasileira: enquanto 54,8% dos alunos acreditam que os mentores ajudam muito, apenas 29% dos empreendedores comuns pen­sam o mesmo.

Os mentores também são importantes até para aqueles que nem iniciaram os negócios. Entre os potenciais empreendedores, 66,3% têm mentor mesmo antes de empreender, e 60,1% concordam que ele foi essencial para despertar o desejo em empreender. Mais do que isso, 61,6% concordam que mentores ajudam muito.

Podemos ver, então, a importância que uma pessoa pode ter na vida do aluno: o mentor não só despertou o desejo de empre­ender, mas também é, hoje, um ponto de apoio muito valioso para o aluno, mesmo an­tes de ele empreender.

Baixe aqui a pesquisa Empreendedorismo nas universidades brasileiras 2016 (em PDF)

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