INICIATIVA SUSTENTÁVEL

Artigo: Aspectos sobre sustentabilidade nas empresas

Confira neste artigo uma breve análise de estudos sobre a importância das práticas sustentáveis no cenário corporativo, com ênfase nas Micro e Pequenas Empresas

No cenário atual, a temática sustentabilidade ainda é vastamente discutida e possui inúmeros conceitos e interpretações.  A percepção de que o planeta Terra precisa entrar em equilíbrio nas dinâmicas econômica, social e ambiental é crescente na sociedade, visto as interações de produção e consumo a partir dos recursos finitos disponíveis. Leia mais sobre esse assunto no www.onu.org.br.

A responsabilidade em balancear esse tripé da sustentabilidade é coletiva e está no governo, nas empresas e na sociedade como um todo.  Segundo o Compêndio para a Sustentabilidade (2007) essa realidade assegura que as empresas não devem ser apenas rentáveis, competitivas e eficientes na geração de riquezas. É necessário que elas atendam, também, às expectativas sociais que lhes são atribuídas.

As discussões no universo acadêmico sobre economia e meio ambiente apresentam duas correntes.  A primeira, da economia e do meio ambiente (o mainstream neoclássico), não considera os recursos naturais, no longo prazo, tendo na sua função de produção a representação apenas do capital e do trabalho:



Após algum tempo, os recursos naturais passaram a figurar a função de produção, mas sendo possível substituí-los por capital ou trabalho, visto o progresso científico e tecnológico, garantindo o crescimento econômico a longo prazo.

A segunda corrente, a economia ecológica, considera os recursos naturais na função de produção:



Em longo prazo, a sustentabilidade do sistema econômico não ocorre sem a existência da estabilização do consumo, devido aos limites dos recursos disponíveis no meio ambiente (ROMEIRO apud MAY et al., 2003).

Diferencial competitivo

Segundo Vinha (2003), a partir da corrente da economia ecológica, mudanças ocorreram e os recursos naturais deixaram de ser percebidos como uma externalidade negativa e muitos acadêmicos passaram a analisar a sustentabilidade como um diferencial competitivo nas organizações.

Dessa maneira, não havia mais espaço para considerar o modelo de que poluição era sinal de crescimento (instalação de fábricas e geração de empregos).  Isso passou a ser um entrave para as empresas que necessitavam ampliar seus custos financeiros para mitigar os impactos ambientais causados por suas atividades.  Esse passivo foi aos poucos compreendido como menor que os custos financeiros ou perdas de fatias de mercado pela percepção negativa da imagem junto aos stakeholders e opinião pública sobre a empresa (VINHA, 2003).

Nessa perspectiva, as empresas começaram a alterar os seus processos e a implantar o conceito de qualidade total nas organizações.  Com essas mudanças, as organizações perceberam os ganhos de produtividade e a redução de custos financeiros.  Essas alterações e a implantação de ações sustentáveis foram pioneiras nas grandes corporações, motivadas pelas cobranças sociais e pelas intervenções políticas, cujos impactos de suas ações eram mais perceptíveis em detrimento das pequenas empresas (VINHA, 2003).

Hoje, o conceito de governança corporativa, sob os aspectos éticos e de transparência na execução das atividades da organização, permite avaliar as ações da empresa pelas partes interessadas (Compêndio para a Sustentabilidade, 2007).  Soma-se ainda a criação de índices de sustentabilidade nas bolsas de valores, inclusive do Brasil, os quais mensuram as ações do tripé da sustentabilidade e a visão de longo prazo de uma empresa comparativamente a outras (www.bmfbovespa.com.br).

Tripé da Sustentabilidade



Coral (2002) afirma que o desafio para obter o equilíbrio do tripé da sustentabilidade necessita de intervenções em todos os níveis da economia.  No nível macro, são elaboradas as diretrizes para as políticas internacionais e nacionais a fim de estabelecer parcerias e priorizar ações.   A partir das discussões, conferências e protocolos assinados por diversos países, de forma voluntária ou legalmente estabelecidos, são crescentes o acompanhamento e cobranças dos órgãos internacionais como a Organizações das Nações Unidas (ONU) sobre as empresas no cumprimento de princípios e diretrizes de responsabilidade social a serem seguidos (Compêndio para a Sustentabilidade, 2007).

No nível médio, o governo atuaria com a implantação de programas e políticas regionais e locais para regular setores produtivos e o planejamento para o crescimento. No nível micro, as empresas seriam responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias para atenuar seus impactos ambientais e sociais na execução de suas atividades (CORAL, 2002).

A mesma autora defende que as interações entre os níveis médio e micro permitem verificar os problemas e a proposição de soluções por meio de programas e o estabelecimento de políticas para introduzir os conceitos de sustentabilidade nas organizações.

Ainda no nível micro, a responsabilidade social das empresas envolve temas como direitos humanos, direitos do trabalho, meio ambiente e desenvolvimento sustentável, que perpassam pelos níveis macro e médio.  No Brasil, os aspectos legais constituídos e que tendem a avançar, como a Política de Resíduos Sólidos, Política Nacional de Mudanças Climáticas e a função social das compras públicas governamentais ampliam cada vez mais as exigências às empresas.  Atrelado a isso, as grandes organizações que assumem o compromisso com as questões sustentáveis cobram a mesma postura em sua cadeia de suprimentos (SEBRAE, 2013).

Nesse cenário, esses aspectos são denominados de imperativos da sustentabilidade e impulsionam as Micro e Pequenas empresas (MPEs) a trabalharem o conceito de sustentabilidade para o alcance de oportunidades de negócios e de competitividade.  São chances de ganhos com a promoção da ecoeficiência, inovação e reconhecimento de novos nichos de mercado, como também a redução de custos financeiros, aumento de produtividade, fortalecimento da imagem e contribuição para um desenvolvimento econômico crescente.

Além desse ambiente favorável, a pesquisa GEM - Global Entrepreneurship Monitor: Empreendedorismo no Brasil (2016) aponta o aumento da escolaridade, notadamente na região nordeste, dos empreendedores iniciais, a qual tem relação direta com o aumento nos conhecimentos sobre sustentabilidade, como pudemos observar em Claro, P. B. O.; Claro, O, D. P. e AMÂNCIO (2008).

Ainda assim, segundo pesquisa do Sebrae, 54% dos empresários não associam ações sustentáveis como oportunidade, mesmo já realizando algumas delas, as quais reduzem seus custos financeiros (eficiência energética, redução do consumo da água, redução de papel) e fortemente atrelam a sustentabilidade às questões ambientais.

Visto isso, as instituições governamentais, junto aos seus parceiros, têm importante papel no fomento e disseminação dos conceitos de sustentabilidade nos aspectos de gestão e práticas organizacionais, sem considerar o ganho de credibilidade apenas discursivo sob os aspectos da sustentabilidade. As MPEs têm grande responsabilidade nesse cenário, já que representam 99% das empresas formais no Brasil e contribuem bastante para a formação de uma sociedade mais justa e sustentável.

Segundo definição do Relatório de Brundtland intitulado Nosso Futuro Comum, “o desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades”. O relatório traz ainda que “na sua essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de mudança no qual a exploração dos recursos, o direcionamento estratégico e a mudança institucional estão em harmonia e reforçam o atual e futuro potencial para satisfazer as aspirações e necessidades humanas”.

Por Adriana Lira de Campos Barreto
Analista Técnica do Sebrae em Sergipe
Publicado em: 26 de setembro de 2018 

REFERÊNCIAS 

A ONU e o meio ambiente. Disponível em: < http://www.onu.org.br/a-onu-em-acao/a-onu-e-o-meio-ambiente/> Acesso em 11 de setembro de 2013.

CORAL, E. Modelo de planejamento estratégico para a sustentabilidade empresarial. 05 de novembro de 2002. 275f. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina. 2002.

Global Entrepreneurship Monitor: Empreendedorismo no Brasil, Relatório Executivo 2016. Disponível em: <http://www. downloads/estudos-e-> Acesso.

Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE. Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br/indices/ResumoIndice.aspx?Indice=ISE&idioma=pt-br>  Acesso em 11 de setembro de 2013.

O que pensam as micro e pequenas empresas sobre sustentabilidade. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/estudos-e-pesquisas> Acesso em 10 de setembro de 2013.

REVISTA DE ADMINISTRAÇÃO - RAUSP. Entendendo o conceito de sustentabilidade nas organizações. São Paulo, vol. 43, núm. 4, octubre-diciembre, 2008, p. 289-300.

Relatório de Brundtland. Disponível em: < http://www.un.org/documents/ga/res/42/ares42-187.htm> Acesso em 11 de setembro de 2013.

ROMEIRO, A.R. Economia ou economia política da sustentabilidade; In: MAY, P.H.; LUSTOSA, M. C.; VINHA, V. (Org.). Economia do Meio ambiente: teoria e prática. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

Tendências de Sustentabilidade para os Pequeno Negócios. Disponível em: <www.sebrae-sc.com.br/sis> Acesso em 11de setembro de 2013.

VINHA, V. As empresas e o desenvolvimento sustentável: da eco-eficiência à responsabilidade social corporativa; In: MAY, P.H.; LUSTOSA, M. C.; VINHA, V. (Org.). Economia do Meio ambiente: teoria e prática. 6 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.

O conteúdo foi útil para você?

  • Sim
  • Não

Enviado com sucesso! Agradecemos sua ajuda.


Compartilhe: