Ao começar um negócio devemos pensar sempre no custo-benefício e, logo, em modelos econômicos que contribuam para o crescimento do investimento de maneira efetiva. Uma boa alternativa é pesquisar tendências que empresas já consolidadas estão adotando e pensar o que se pode aprender com elas.

Uma questão que vem sendo bastante discutida no momento é a diminuição do desperdício de recursos na indústria alimentícia. Nos investimentos de grande porte, uma enorme quantidade de alimentos é desperdiçada porque muitas vezes, no preparo das refeições, descartamos partes que podem ser consumidas e que ainda contêm mais nutrientes do que aquelas que utilizamos. Essa tendência vem tomando uma outra forma, impulsionada pelo modelo de trabalho individual. A aplicação de técnicas, muitas vezes ensinadas pelas nossas avós, está cada vez mais presente nesse mercado.

Aproveitando integralmente os produtos, além de evitar a perda de comida, é possível aumentar a densidade nutritiva das preparações. Com isso, tanto o melhor aproveitamento de alimentos como a distribuição desses excedentes tornam-se fatores essenciais para o combate ao desperdício.

Seguindo os passos das cozinhas caseiras e tradicionais, muitas cozinhas comerciais  estão aprimorando técnicas culinárias para aproveitar integralmente os alimentos e mostrar que tudo pode se transformar em pratos saborosos e criativos.

  •  No Borracharia Gastrobar, de Belo Horizonte, os caules dos vegetais e as cascas de banana são usados para fazer uma farofa à base de pão.
  •  Também na capital mineira, o restaurante Santa Fé serve pele de salmão assada como um tipo de torresmo.
  • Já no Vitorino, de Paulínia, as espinhas de bacalhau compõem um sal grosso aromático usado em receitas à base de peixe.

 

Em uma experiência profundamente integrada com a natureza, os restaurantes-horta exploram a riqueza da flora nativa de suas localidades. No Brasil, o restaurante Recanto das Ervas, em Campo Grande, é um espaço em que os clientes podem ter contato direto com canteiros de ervas e aprender sobre cultivo orgânico. São Paulo é o centro dos estabelecimentos que oferecem experiências gastronômicas sustentáveis no Brasil . A maior parte do mobiliário do Tubaína Bar é reutilizada, pelo menos 30% dos produtos frescos utilizados na cozinha são orgânicos. O restaurante também tem como foco a ampla oferta de pratos vegetarianos e veganos, incluindo lanches, petiscos e sobremesa.



Resíduo vira matéria-prima

A economia circular é uma das principais tendências para o segmento de alimentação e bebidas em 2019. Esse movimento exige uma visão completa do ciclo de vida dos produtos, extraindo o maior valor possível deles e reinserindo os resíduos em novos processos produtivos. Por exemplo:

  •  Utilização de cascas de ovo e de tomates para fabricação de pneus, dispensando uma parcela de materiais feitos à base de petróleo.
  • Na moda, o bagaço da laranja está sendo usado pela startup italiana Orange Fiber para produção de fibras têxteis à base de celulose de alta qualidade.
  • Ananas Anam, da Espanha, explora a fibra contida na folha do abacaxi para desenvolvimento de produtos têxteis sustentáveis, como o “couro vegetal” Piñatex.

Além de serem tendências sustentáveis, observamos que algumas práticas simples podem configurar um modelo econômico com corte de gastos e reutilização e recursos, pertinente para negócios que estão começando agora. Tendo esses exemplos como referência, o Microempreendedor Individual pode adotar algumas práticas para a sustentabilidade no seu negócio:

  • O aproveitamento de alimentos como um todo: itens como cascas de banana, melancia e abacaxi podem ser transformados em doces, pães, bolos e caldas.
  • Reciclagem: materiais orgânicos que não podem ser reinventados para consumo podem servir de adubo, por exemplo, abrindo a possibilidade da confecção de uma horta particular.
  • Que tal produtos frescos? Pegando carona na dica anterior, a utilização de produtos de produção própria, além de configurar economia de gastos, chama a atenção do público mais preocupado com o consumo saudável e sustentável.
  • Embalagens de plástico, alumínio e vidro podem ser adaptadas para a confecção de itens de apoio na cozinha ou até mesmo objetos de decoração.

Confira a cartilha “Minha empresa sustentável: bares e restaurantes, desenvolvida pelo Centro Sebrae de Sustentabilidade, e entenda a interferência do tema em diversos processos dos estabelecimentos gastronômicos.

Que tal continuar explorando?