Banco estadual reduz juro para atrair novos clientes
Especialistas dizem que o Banestes poderá vivenciar uma redução no número de clientes no longo prazo. A concorrência entre as instituições privadas e os juros baixos ofertados pela Caixa Econômica e pelo Banco do Brasil atraem cada vez mais correntistas.
Em aparente reação à repercussão negativa que o fim das negociações com o BB teve no mercado, ontem o Banestes reduziu suas taxas de juros, alinhando-as à nova trajetória da taxa Selic, que caiu de 10,25% para 9,25%.
Para o segmento pessoa física, a linha de crédito que registrou o maior percentual de redução foi o Cheque Confiança, cuja taxa mínima caiu 11%, ou a partir de 1,20% ao mês.
Já para pessoas jurídicas, o maior percentual de queda das linhas de crédito do Banestes ficou para o produto Conta Garantida, que teve uma redução de 20% - saiu de 2,10% para 1,68%.
"Estamos vivenciando a retomada da oferta de crédito por parte das instituições financeiras, e vale lembrar que, mesmo no pior momento da crise, o Banestes sempre manteve suas carteiras de crédito abertas, praticando as taxas mais competitivas do mercado", assinala o atual diretor comercial do Banco, Ronaldo Hoffmann.
Consumidores
Nas ruas, o fim da venda não parecia preocupar muito os consumidores. A estudante de Direito Naydher Silva Berger, 32, afirma que o fim da aquisição não vai interferir em sua vida de correntista do Banestes.
No entanto, ela acredita que a venda facilitaria seu trabalho no escritório, pelo fato de o Banco do Brasil possuir agências em outros Estados. Hoje, ela precisa transferir contas do Banestes para outros bancos por conta disso. "Se fosse unido, seria um trabalho a menos", afirma.
Já o dentista Rodrigo Brotas Ribeiro, 29, ficou feliz com a notícia de que a venda não se concluiu. "Penso em como ficaria o atendimento no interior, o Banco do Brasil ia disponibilizar agências, como o Banestes tem? Acho que os financiamentos poderiam ser elevados. E por que o Banestes não pensa em englobar, em vez de ser englobado?"
Fatos e versões
Cenários e negociações possíveis para o Banestes nos próximos meses
O motivo: muitas explicações e pouco consenso
O que disseram entrevistados ontem sobre o motivo do fim das negociações entre Banco do Brasil e Banestes
Hartung ressalta papel de Penedo para o Banestes
O governador nomeou o economista Roberto Penedo, atual secretário da Fazenda, para reassumir a presidência do Banestes. Penedo ocupou a presidência do banco de outubro de 2004 a fevereiro deste ano, quando iniciaram as negociações entre o governo e o Banco do Brasil. O atual subsecretário da Receita, Bruno Negris, assume a Fazenda no lugar de Penedo. "O professor Roberto Penedo teve um desempenho extraordinário à frente do Banestes", destacou Hartung.
Fim das negociações com o Banco do Brasil
São Paulo
Depois de encerradas as negociações com o Banco do Brasil, o governo do Estado volta a pensar o Banestes no longo prazo. Os projetos que estavam em banho-maria por conta de uma possível venda, como os cartões de crédito Banescard, agora devem voltar à pauta. A primeira mudança de impacto foi trazer de volta para a presidência da instituição o economista Roberto Penedo, atual secretário da Fazenda.
"Estamos disputando nichos do mercado e vamos tocar o banco para frente. Por isso, estou trazendo de volta o nosso presidente que se consagrou no cargo. Temos de estar preparados para os novos desafios que estão por vir, entre eles, a portabilidade", destacou o governador Paulo Hartung.
Para os especialistas, o Banestes, mesmo estadual, pode vencer os obstáculos - principalmente a portabilidade e o crescimento da concorrência -, mas para isso é preciso manter uma gestão profissional. Caso o banco volte à situação em que estava no governo José Ignácio (1999/2002), não há como se sustentar. "O Banestes, no que ele se propõe a fazer, é muito forte. Dentro do Espírito Santo ele atende a todas as necessidades. Mantendo-se da forma como está, consegue superar os desafios", crê o economista Paulo César Coimbra.
Em relação a uma possível venda, o discurso de Hartung se afina ao de Coimbra quando o assunto é a crise. "Realmente, o momento não é propício. O momento de vender foi na época do Itaú-Unibanco, quando todos foram ao mercado, agora, isso deu uma parada. É difícil negociar. Além disso, a crise atrapalha um pouco. Acredito que o próximo bom momento será a partir de março do ano que vem, quando a economia estará em melhor situação", ponderou o economista.
O problema agora é para quem quiser vender. A Caixa, que na segunda-feira informou estar indo às compras, estaria procurando instituições com expertise em mercado imobiliário, já que estaria "faltando pernas" para que o banco federal desse conta da demanda gerada pelo "Minha Casa, Minha Vida" - programa de habitação do governo Lula. A assessoria de imprensa da Caixa informou desconhecer qualquer tipo de interesse do banco no Banestes.
Os outros interessados no Banestes seriam o Bradesco e o Santander, mas o governador Paulo Hartung descarta a existência de negociações.
A versão oficial do governador
A crise econômica mundial e o processo de mudança da diretoria do Banco do Brasil foram os fatos que, segundo o governador Paulo Hartung, motivaram a suspensão das negociações para a incorporação do Banestes ao Banco do Brasil. O governador ressaltou que o preço de venda do Banestes era importante, mas não era o principal ponto da negociação.
A versão oficial do Banco do Brasil
A instituição financeira alega que as negociações foram suspensas porque o banco está, neste momento, focado nas complexas incorporações da Nossa Caixa, do Banco de Santa Catarina e do Banco Votorantim. O Banco do Brasil também informou ter havido uma discordância em torno do preço a ser pago pelo Banestes.
A questão do preço
Os analistas de mercado afirmam que essa foi a questão que emperrou as negociações entre Banco do Brasil e governo do Espírito Santo. O governo planejava algo em torno de R$ 1 bilhão. O valor oferecido pelo Banco do Brasil, até agora não ventilado e muito menos revelado, seria muito inferior a isso. Quem entende desse tipo de negócio garante que não há outra explicação para a suspensão.
O custo político da venda
Analistas políticos acreditam que o temor do governo ao vender o Banestes para o Banco do Brasil sem que houvesse o respeito por empregos e estrutura de agências poderia custar caro à eleição de 2010, uma vez que o principal candidato governista é o atual vice-governador Ricardo Ferraço. O impacto negativo das medidas poderia ter reflexo na campanha do ano que vem.
Outros interesses em jogo (bancos interessados)
O que muito tem se ventilado é que outros bancos, públicos e privados, estariam interessados em comprar o Banestes. A Caixa, que na segunda-feira anunciou que vai às compras, seria um dos interessados. O Bradesco e o espanhol Santander seriam os outros com interesse no banco capixaba. Hartung descarta a possibilidade de privatização.
Taxas
20% de queda
É a redução máxima percentual que tiveram as modalidades de crédito do Banestes, informou o banco.
Fonte: Gazeta Online, 24/06/2009.