Thu Sep 10 09:55:10 GMT-03:00 2020
Empreendedorismo
Como fica o transporte escolar em tempos de Covid-19
Compilamos ideias e alternativas para a atividade de transporte escolar durante a pandemia Coronavírus. Negociação e reinvenção são a chave neste momento.

Em virtude da paralização total do funcionamento das escolas em todo o Brasil devido a pandemia do Coronavírus, a prestação do serviço de transporte escolar se deparou com o cenário de impossibilidade de continuar atuando.

Considerando os contratos firmados entre famílias e o prestador de serviço, e ainda as questões relacionadas aos direitos do consumidor, observamos que os órgãos relacionados a esse tema, juntamente com o Ministério Público de alguns Estados tem se pronunciado a respeito, e basicamente ressaltam uma única saída para estes embates: a NEGOCIAÇÃO.

Nunca antes fora tão valorizada entre as partes o bom senso, a negociação transparente e a solução pacífica e rápida de pendências ocasionadas pela Covid-19.

Para contribuir com a avaliação por parte dos pais, vale ressaltar que o profissional do transporte escolar é quem levava seu bem mais importante: seus filhos. Antes da pandemia, eram esses profissionais quem os transportavam diariamente para a escola e agora eles estão ficando desassistidos com a interrupção integral dos pagamentos, já que a prestação deste serviço precisou ser interrompida.

Várias ideias estão sendo observadas no mercado, pois os empreendedores brasileiros sempre se reinventam e se adaptam muito bem às adversidades/barreiras. Ainda que esta situação é tão grave é inédita e principalmente, com consequências e duração imprevisíveis, portanto inovar é preciso, com urgência, mas com cautela na saúde das partes.

Dicas para ações imediatas

Seguem algumas ideias/sugestões de serviços ou adaptações que podem ser estudadas e implementadas neste momento de crise, no segmento de transporte escolar, diante da Covid-19:

  • Acompanhe as medidas e definições do calendário escolar das escolas de seus clientes. Algumas das escolas irão repor aulas aos finais de semana, outras pensam em contra-turno ou horários diferenciados. Negocie com os pais que estes dias e horários adicionais seu serviço de transporte se adaptará à estas necessidades e que podem ser pagos agora para usufruto posterior.
  • Utilizar os mesmos contatos/contratos existentes e propor alteração do objeto temporariamente do serviço (durante a epidemia/fechamento das escolas). Isto é, utilizar a mesma linha/rota de busca/entrega das crianças, para efetuar entregas de produtos em geral de alimentação e/ou higiene por exemplo, desde que os clientes concentrassem suas compras em uma determinada região, privilegiando pequenos negócios, para evitar custos maiores de novos deslocamentos. Assim, esta proposta, evitaria o risco de contágio pelos pais (diminuindo saídas), e manteria o pagamento do serviço do transporte (mesmo que renegociado/parcial ou integral).
  • Ofertar serviços pós-pandemia, como crédito aos clientes, aos que mantiverem seus pagamentos, mesmo com a interrupção das aulas. Como por exemplo, delivery de clientes a bares e restaurantes em períodos diferentes das aulas, o que seria possível conciliação entre as partes, após o retorno das aulas. Desta forma, além de manter o segmento de logística escolar, fomentaria o retorno da economia de bares e restaurantes (atualmente afetada drasticamente) pós-pandemia, impulsionando a campanha: “ se beber não dirija! ”. Independentemente se consome ou não bebida alcoólica, será um apoiador do movimento. Esta proposta pode ser fomentada com os atores/players do segmento, como a ABRASEL – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, entre outros, que podem encorpar esta ação. Assim teremos várias cadeias se beneficiando de um mesmo ato (sito é pensar coletivo).
  • Analisar a possibilidade de transformar, mesmo que temporariamente, o negócio, pensando em utilizar o veículo para delivery de encomendas de pedidos/compras pela internet (alta demanda), pois as vans escolares possuem espaço interno que pode ser adequado a este tipo de serviço. Procure se cadastrar em plataformas de entrega de mercadorias.

Para maiores informações acesse.

Quebrar o contrato e não pagar, deve ser a última opção do consumidor. Pois esta reação, mesmo que justificada e correta (pois o serviço não estará sendo prestado), certamente irá gerar uma reação de inadimplência em cadeia, maléfica a todos. Porque quem irá repor o mesmo serviço depois do retorno das aulas, se a empresa ou empreendedor quebrou na crise do Covid-19? Situação muito complexa e delicada, que se utilizarmos a transparência nas negociações, poderá nos fazer uma sociedade muito melhor em breve, nos ajudando, nos reinventando.

Orientações dos órgãos/entidades

Colhemos algumas orientações na internet de PROCONs estaduais e membros do Ministério Público, os quais destacamos abaixo. O destaque é: NEGOCIE.

  • Procon – Jacareí/SP, orienta negociação. Isto é, nem a cobrança integral, nem a interrupção. Visto que a situação é inerente ao desejo das partes. Pode-se entender este período sem prestação do serviço, semelhante ao período de férias escolares, aonde os pagamentos continuam existindo, na maioria dos contratos vigentes. Ao retorno das atividades, caso sejam observadas as férias ainda no ano corrente, é possível pensar em: abatimento, parcelamento, isenção parcial do valor (definição entre as partes) mas em um momento futuro, fora da pandemia. Isso possibilitará as partes se prepararem mais adequadamente para enfrentar a situação.
  • Procon/MG – Emitiu a N03/20 que orienta a revisão dos contratos vigentes, principalmente no que tange aos valores cobrados. Enfoca a necessidade de negociação entre as partes, como abatimentos parciais e temporários, rescisão de contratos anuais e emissão de novos periódicos já estipulando as condições da epidemia, ou simplesmente registrando um aditivo de comum acordo para estabelecer as condições de cada caso.


Orientações de Retorno da atividade

Agora, mais importante até que regular o setor durante a paralisação das escolas, na parte dos pagamentos/recebimentos dos prestadores de serviços, é estabelecer entre as entidades e órgãos responsáveis, quais serão os protocolos de retorno, os obrigatórios e os opcionais (orientativos).

Enquanto não os temos oficialmente, seguem sugestões e ideias para colaborar com você,  empreendedor. Para quando do retorno da atividade de transporte escolar deve existir um padrão (legalmente estabelecido) em todo o Brasil de operação, evitando novos picos de contágio do Covid-19 através da transmissão pelas crianças, e novamente ações de interrupção das aulas escolares. O efeito sanfona no segmento (abre/fecha), poderá causar ainda mais prejuízos as partes.

Uma situação que provavelmente será revista, até o fim da pandemia, é a lotação/quantidade de crianças por veículo, sendo provável que sejam revistas as distâncias mínimas entre crianças, para evitar contágio por contato físico entre as mesmas. Assim, o empreendedor deste segmento deve manter os cuidados básicos, como: higienizar constantemente o veículo; fornecer álcool em gel para as crianças ao entrar e ao sair do veículo; utilizar e cobrar a utilização de máscaras; controlar/aferir a temperatura dos clientes ao entrar no veículo (evitando transporte de crianças febris); assim, terá certamente que se adequar a uma nova realidade.

A retomada deste serviço tem impactos diretos nos custos do negócio (principalmente de manutenção e deslocamento), pois com menos clientes, terá que fazer o mesmo trajeto mais vezes, talvez em menores distâncias para ser viável e/ou aumentar o ticket médio de cada cliente, para viabilizar o negócio. Temos um cenário incerto da pandemia mas já podemos nos antecipar e planejar ações preventivas para que o negócio continue sendo viável economicamente e seguro aos clientes.

As vans escolares retiram do trânsito brasileiro milhões de carros individuais dos pais, e a interrupção deste serviço certamente causará nos grandes centros, um maior trânsito e engarrafamentos. Evidenciando a necessidade de repensar os trajetos/distâncias, carteira de clientes, disponibilidade de bancos/assentos, necessidade de parar o veículo para aferir temperatura e certificar da utilização da máscara e álcool em gel, enfim, poderemos ter pequenas mudanças na operação do serviço que alteram no final, toda a logística do negócio, e seus custos.

Artigo escrito por Ludovico W. da Riva,  Cláudia Stehling e Victor Ferreira, analistas do Sebrae Nacional.

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