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Empreendedorismo | INICIATIVA EMPREENDEDORA

Conheça a empresa que busca revolucionar a educação tradicional

A proposta da Geekie é transformar o modo de aprender nas escolas, moldando o currículo às necessidades e ao perfil dos alunos.

· 05/08/2016 · Atualizado em 31/10/2016

Segundo dados do Movimento Todos Pela Educação divulgados no início de 2016, apenas 56,7% dos alunos com até 19 anos está formado no ensino médio. Os números refletem a forma ultrapassada pela qual o conteúdo é transmitido nas escolas: o processo é todo padronizado, para que os alunos sejam avaliados pela mesma prova.

E foi nesse cenário que Claudio Sassaki e Eduardo Bontempo se perguntaram: "Se duas pessoas não aprendem da mesma forma, por que ensinamos da mesma forma?" Nasceu, dessa maneira, a Geekie, uma empresa que quer transformar o modo de aprender nas escolas brasileiras.

A proposta da iniciativa é que,em vez de o aluno "se encaixar" no currículo, o currículo possa se moldar ao perfil do estudante. Com base no conceito de ensino adaptativo, eles criariam uma tecnologia que utiliza big data, sistemas de autoaprendizagem – ou seja, que observam padrões para "ensinar melhor" – e uma plataforma web que pudesse personalizar o processo para cada estudante.

Se o modelo tradicional de educação fosse um GPS, a Geekie seria o Waze: em vez de apenas dar a rota, a empresa quer entender o contexto, o sonho do aluno, identificar os buracos e redesenhar o trajeto com os retornos necessários para, depois, seguir adiante com mais facilidade.

Para cumprir essa promessa, a Geekie hoje tem três produtos, que podem ser acessados por administradores, professores e alunos, do computador ou do celular, da escola ou de casa:

  • Geekie Test: simulado que usa tecnologia preditiva para gerar um relatório imediato para o aluno sobre o desempenho dele. O resultado dá uma projeção de qual seria a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que pontos são mais fortes ou mais fracos, além de um roteiro de estudos para melhorar a performance.
  • Geekie Lab: plataforma online que se integra a uma sala do ensino médio. Uma parte do programa corrige automaticamente os deveres de casa dos alunos, para que o professor possa focar em intervenções mais pontuais e personalizadas. Além disso, identifica as áreas de maior dificuldade de cada adolescente, provendo material personalizado em vídeo, texto, jogos, cartas e outros exercícios, permitindo que seja usado o formato mais eficaz para cada um, no grau de dificuldade mais adequado.
  • Geekie Games: um teste feito para quem está se preparando para o Enem e oferece um plano de estudos especificamente para aquela pessoa. Em média, os alunos melhoram os resultados em 1,6 ponto por lição completada. Isso representa uma melhora em torno de 35% no desempenho do estudante a cada semestre de estudo.

O processo de revolucionar a educação brasileira não é tão fácil, principalmente do ponto de vista do empreendedor. Sassaki explica que a maior dificuldade é lidar com os erros constantes e a sensação de despreparo. "Mas você aprender a lidar com isso e fazer com que isso te desafie a acordar e buscar o próximo desafio. Seguir em frente é transformar isso em algo que te faz andar mais rápido e aprender mais", completa.

O início

"Eu vi o quanto meu pai conseguiu transformar não só a vida dele, mas também a de todos nós por causa do estudo." Essa é a explicação de Eduardo Bontempo sobre a paixão por educação. Descendente de imigrantes italianos, o avô era sapateiro e não teve muita instrução. O pai foi o primeiro da família, até então, a cursar uma faculdade.

Claudio Sassaki herdou os mesmos valores e sempre foi bom aluno, muito por influência de sua família e da cultura japonesa. No ensino médio, começou a se dedicar mais à natação e ao tênis e acabou ficando muito ausente por conta dos campeonatos em que participava.

Quando o momento de prestar vestibular começou a se aproximar, precisou tirar o atraso e foi aprovado em duas das melhores universidades do país, passando a dividir o tempo entre elas: Engenharia na Universidade de São Paulo (USP) e Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em pouco tempo, no entanto, Sassaki percebeu que aquilo não era para ele. Não da forma como o conteúdo era passado. O pai não gostou da decisão do filho de prestar um novo vestibular, quanto mais para Arquitetura e Urbanismo.

Para seguir nesse caminho, o jovem precisaria dar um jeito de se sustentar. O resultado da Fuvest, entidade que organiza o vestibular da USP, uma das provas mais concorridas do Brasil, acabou facilitando esse desafio: ele ficou no primeiro lugar geral.

Com o currículo incrementado, Sassaki foi dar aulas particulares. Ensinava tudo, de matemática a ilustração, complementando ainda como instrutor de tênis aos sábados, o que o permitiu se bancar durante toda o curso de Arquitetura.

Igualmente buscando uma fonte de renda, Bontempo tinha uma vida paralela de professor ou monitor de cursinho. Os dois só se encontraram anos depois, mas descobriram que tinham em comum a paixão por ajudar pessoas a desenvolver potenciais.

Encontro de geeks 

Como era de se esperar, Bontempo foi parar no mercado financeiro, afinal ele tinha um diploma de Administração na FGV. Mas Sassaki, mesmo arquiteto de formação, trabalhou no Credit Suisse por dez anos e chegou a ocupar a vaga de vice-presidente nos Estados Unidos. Foi lá que eles se conheceram.

Nos encontros, perguntavam se aquela era um carreira que fazia sentido diante dos propósitos de cada um. A conclusão foi que não fazia. O propósito era ajudar as pessoas a desenvolver potenciais – e, por alguns anos, os dois foram trocando ideias sobre como realizá-lo.

Sassaki foi fazer um MBA em Stanford, junto com um mestrado em Educação. Bontempo foi também fazer um MBA, mas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Numa visita ao Brasil, encontrou Sassaki, e decidiram que era a hora de aplicar tudo que vinham aprendendo sobre práticas inovadoras de ensino. Bontempo não quis nem voltar para os Estados Unidos para terminar o curso: os dois caíram de cabeça no mundo empreendedor.

Para isso, no início de 2011, Sassaki e Bontempo convenceram cinco dos melhores engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) a rejeitar ofertas de emprego no Facebook e no Google e a comprar o sonho da Geekie. Usando as próprias economias da época de banco de investimento, eles podiam pagar salários competitivos e alugar um escritório onde o primeiro produto começaria a ser desenvolvido. Em apenas três meses, a Geekie já tinha o primeiro cliente, uma das melhores escolas de São Paulo.

Do próprio bolso

Houve um longo tempo em que os empreendedores não só não receberam nada, como também continuaram tirando do próprio bolso para investir. Mas o dinheiro não durou para sempre e, em um ano, a empresa já enfrentava dificuldades financeiras. Porém, em uma decisão bem acertada, os jovens resolveram que não deixariam de pagar salários a ninguém, muito menos fazer cortes que prejudicassem a equipe.

Começaram a se preparar para uma rodada de captação, mas, enquanto o dinheiro não entrava, o risco de ficar sem caixa era enorme. "Houve uma reunião em que a gente colocou na parede os custos que a gente tinha, foi um pouco preocupante. A gente arrumou dinheiro de onde não tinha, vendendo coisas para a folha de pagamento daquele mês. O próximo passo foi ligar para os fornecedores e pedir desculpas, porque a gente só ia poder honrar nossos compromissos no mês seguinte", lembra Bontempo.

Apesar do susto, a rodada de captação foi um sucesso. Além disso, naquele mesmo ano, outras cinco escolas também fecharam a compra do produto de teste de diagnóstico adaptado. Com o produto validado e investidores na roda, eles puderam contratar mais pessoas e começar a trabalhar em outros produtos.

Inclusão social

Mas uma das propostas da Geekie é tornar o ensino de qualidade mais acessível, e por isso ninguém pode ficar para trás. Para cada escola particular que implementa um produto, a empresa oferece a mesma tecnologia para uma escola pública.

"Seria incoerente focar apenas nas escolas particulares, porque no final das contas estaríamos aumentando as diferenças. Eu preciso fazer com que a Geekie chegue ao aluno que mais precisa", explica Sassaki. Com esse modelo, a Geekie manteve uma média de crescimento de 267% nos últimos três anos.

"A gente percebeu que tem coisas que a gente pode fazer pelas escolas que vão além de como elas são hoje. Podemos ajudá-las a incorporar essa visão de uma educação que prepara para vida, que é menos memorização e mais desenvolver habilidades. O futuro tem carreiras que nem sabemos que vão existir. A gente tem um papel importante em levar essa discussão adiante. Não é só memorizando coisas para o vestibular que a gente vai construir o país que a gente gostaria de ter", completa.

Conteúdo produzido em parceria com a Endeavor Brasil

Assista ao vídeo e confira a participação de Cláudio Sassaki no programa Afinidades.

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