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Fri Dec 06 09:46:22 GMT-03:00 2019
Organização
Informações técnicas sobre os tipos de artesanato do Amapá
Características, matéria-prima, processo de produção e comercialização dos produtos de artesanato do Amapá.
  • Fibras, sementes e cipós
  • Madeira e cerâmica
  • Manualidades

Artesanato indígena, artesanato com fibras, sementes e cipós, artesanato feito com madeiras regionais e artesanato em cerâmica são aqui abordados considerando suas características produtivas, comerciais e culturais do estado do Amapá.

Artesanato Indígena: Parque do Tumucumaque e povos indígenas Waiãpi

Artefatos de uso pessoal da própria cultura (cestarias, colares e bolsas a partir de sementes da região, coloridas com tintas naturais e também artificiais, bancos, flechas, cocares, pentes, apitos para rituais, dentre outros).

No caso dos Waiãpi, não são utilizados corantes em suas sementes. O processo é totalmente manual com técnicas de trançado, entalhes e montagem de adornos pessoais.

Estes produtos têm um alto valor cultural agregado, nos quais as manifestações culturais desses povos são representadas na forma, pelos grafismos, que em sua maioria estão presentes na fauna e na flora da região. A comercialização é feita diretamente pelas associações num prédio cedido pelo Governo Estadual.

Fibras, sementes e cipós

Artesanato com fibras, sementes e cipós

O artesanato deste segmento é bem diversificado, tendo um público produtor diferenciado. A maioria dos produtores faz parte da Associação dos Artesãos do Estado do Amapá (AART-AP). Os produtos basicamente são:

  • Fibras e sementes: adornos pessoais (bolsas, colares, pulseiras, chapéus, brincos) e souvenires (porta-objeto, chaveiros, etc). O processo se configura pela coleta das matérias-primas na floresta, em alguns casos, no entorno dos próprios locais de produção. No tratamento da semente e das fibras naturais, algumas coloridas com corantes naturais e artificiais, e no processo de feitio das peças, utiliza-se maquinário de pequeno porte, como furadeiras e lixadeiras manuais. No acabamento, as peças geralmente são envernizadas e enceradas.

As peças que mais se destacam no estado são os adornos pessoais com identidade cultural Maracá e Cunani, incorporada a uma nova linha de bijuterias desenvolvida por designer contratado pelo Sebrae em 2006.

  • Cipós: cestarias, fruteiras e móveis. O processo se inicia com a retirada do cipó de forma isolada. Alguns artesãos coletam sua matéria-prima, mas em muitos casos, compram de fornecedores ou recebem doações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quando há uma apreensão do cipó ilegal.

Os artesãos se queixam porque ainda não há uma lei que regulamente a extração do cipó, provocando constrangimento, desconforto e angústia na classe que depende do material para produzir suas peças.

A partir da coleta, o cipó é higienizado e dividido ao meio para viabilizar a técnica do trançado, comum em todos os produtos deste segmento. O verniz é muito utilizado no processo de acabamento das peças. Acredita-se que a adição deste componente no acabamento pode conservar mais o produto e, em alguns casos, melhorar o aspecto estético.

O compensado com espessura mais fina é utilizado para compor a base das cestarias. Há uma repetição de modelos tanto nas cestarias como nos jogos de mobiliário: sofás, cadeiras e mesas de centro, considerados no estado como peças do artesanato.

Madeira e cerâmica

Artesanato feito com madeiras regionais

Este segmento traz uma gama maior de produtos, sendo boa parte deles utilitários. São produzidos brinquedos, artefatos de cozinha, porta-objeto, fruteiras, entalhes e esculturas representando valores da cultura local.

As madeiras mais utilizadas na produção do artesanato de madeira são: cedro, macacaúba, marupá, sucupira, angelim, dentre outras. Na produção de brinquedos como miniaturas de automóveis e barcos, são utilizadas também madeiras reaproveitadas de embalagens de frutas, por exemplo.

O uso de equipamentos de médio porte e suas técnicas de acabamento possibilitam uma maior produção em relação aos outros segmentos. Os artesãos deste segmento começam aos poucos a deixar a fixação por pregos e voltam-se para o encaixe, que facilita a montagem e desmontagem das peças, além de melhorar visivelmente a qualidade estética do conjunto. Isso se deve às ações de design que o Sebrae/AP vem implementando desde 2002.

Artesanato cerâmico

Para melhor entender o artesanato cerâmico, vamos dividi-lo por território. Desta forma tentamos ser justos com as identidades de cada grupo. São eles:

  • Artesanato cerâmico de Macapá, Mazagão Velho e Oiapoque

As únicas coisas em comum no artesanato destes territórios são: a maioria dos artesãos veio do Pará e trouxe no seu repertório todo o conhecimento de produção de cerâmica Marajoara, repetindo até hoje vasos decorados com ricos grafismos desta civilização e suas técnicas. Mas as realidades são bem diferentes.

No Oiapoque, encontra-se uma produção familiar bastante ativa e homogênea, com uma diversidade de produtos maior e a experimentação de cores é mais intensa.

Devido à proximidade com a Guiana Francesa e à distância da capital do estado, o escoamento da produção é todo feito no país vizinho. Apesar dos esforços do Governo Estadual e do Sebrae para apoiar a comercialização dos produtos na capital e no mercado nacional, as dificuldades de acesso e o alto custo com transporte, desestimulam o grupo e inviabilizam os esforços institucionais. Neste segmento, destaca-se a cerâmica mineralizada.

Técnica difundida pela Artista Plástica Nina Barreto na década de 30, a cerâmica recebeu o pó do manganês como artifício de decoração, sendo o mais genuíno produto do estado. Este produto é produzido basicamente por ceramistas da capital. A cor característica é o preto, tendo o brilho do minério sua mais bela feição estética.

  • Artesanato cerâmico do Maruanum

Região povoada por afrodescendentes, o artesanato cerâmico do Maruanum, situada a aproximadamente 42 km da capital, é uma miscelânea de técnicas e misticismo. Para as louceiras desta comunidade, a produção das peças é um ato considerado “sagrado”, incrementado por rituais e superstições.

Há uma determinação de regras, não oficiais, mas um pacto construído a partir de suas relações culturais, que define os rituais de produção desde a coleta da argila até a queima e acabamento das louças. A técnica é bastante rudimentar, confundindo-se com as técnicas indígenas de produção cerâmica, mas repleta de crendices e cantorias, que fazem deste artesanato um dos mais expressivos e representativos do Amapá. Não há torno, nem maromba, apenas as mãos que vão moldando as peças, preparando a fogueira para a queima e por fim, o burilamento, na etapa de acabamento da peça. Cada louça tem cor diferenciada, meio acinzentadas, meio alaranjadas, em tons pastéis suavemente naturais.

Manualidades

Considerado por alguns fora da classificação do Artesanato, as manualidades são as mais frequentes nos locais de comercialização de Macapá. Os materiais mais utilizados são: massa fria, tecidos, juta, tintas industriais, bordados etc. A técnica é transmitida pela mídia televisiva, revistas especializadas, cursos de curta duração, imprimindo a estes produtos uma estética universal.

Este segmento diferencia-se dos demais pela pouca representatividade da identidade cultural local e utilização de insumos industriais. Poucos se arriscam na tentativa de inovação agregando elementos da cultura local, mas se restringem à fauna e flora da região.

A comercialização de todos os segmentos acima, exceto o indígena, é feita tanto em feiras locais promovidas pela Secretaria de Estado do Trabalho e Empreendedorismo (SETE), como na Casa do Artesão – espaço destinado atualmente para este fim, cedido pelo Governo Estadual. Existem também outros locais de destaque que vendem artesanato amapaense como o Mercado da Floresta, uma loja no aeroporto e outra no shopping da cidade de Macapá.

 

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