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Mon Sep 27 16:09:15 BRT 2021
Empreendedorismo | ORGANIZAÇÃO EMPRESARIAL
Pais e filhos: os desafios e valores entre gerações de empreendedores

Conheça histórias de sucesso para você começar a se inspirar e planejar a sucessão familiar no seu negócio

· 27/09/2021 · Atualizado em 27/09/2021
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Eles são fontes de amor, carinho, exemplo e, com o passar do tempo, a admiração pode crescer tanto que se tornam também referências profissionais. Principalmente quando falamos de pais empreendedores. Para os filhos, seja por opção ou necessidade, continuar o legado dos negócios em família, de forma efetiva e responsável, é um desafio quase inevitável.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 90% das empresas no Brasil seguem o modelo familiar. São elas as responsáveis pela produção de 65% do Produto Interno Bruto (PIB) e dispõem de cerca de 75% da força de trabalho do País.

Na prática, apesar da confiança entre os envolvidos, diversos conflitos internos na questão de processos, gerência, dinâmica e até no relacionamento pessoal entre pais e filhos podem acontecer, trazendo aprendizados que podem ser usados como vantagens competitivas. Pensando nisso, trouxemos dois cases de sucesso para provar que a diferença de gerações pode ser, sim, utilizada como um fator de crescimento para a empresa.

De pai, para filho e neta

Mesmo sendo maioria, grande parte das empresas familiares não conseguem permanecer ativas por muito tempo. Cerca de 70% não sobrevivem à geração do fundador e apenas 5% chegam à terceira geração. Um desses exemplos é o caso das fazendas de pecuária de corte da família Perondi nos municípios de Ribas do Rio Pardo e Jaraguari. Fundadas por Olimpio Perondi, 93, hoje elas são administradas pelo filho, Nelson Perondi, 70, com o apoio da neta, Tábitha Perondi, 28.

A ideia da sucessão veio há 12 anos, quando Olimpio convidou Nelson para ajudá-lo em algumas atividades. Depois, com a formatura de Tábitha em Medicina Veterinária, em 2015, a continuação aconteceu de forma espontânea, sem um pedido formal por parte do avô. “Quando vi, já estava indo todos os dias para as fazendas e, como sempre amei a área, acabei ficando com ele. Nossa relação também sempre foi muito boa, assim como a dele com o meu avô. Acho que isso só solidificou essa parceria.”

Até a escolha da profissão foi por influência das gerações anteriores. O respeito e o interesse pelo cuidado com a natureza observados enquanto acompanhava o pai no campo fizeram com que Tábitha não duvidasse da escolha de seguir a área Veterinária desde os oito anos de idade.

Contudo, conciliar ideias de três vivências diferentes nem sempre é uma tarefa fácil. “O maior desafio que temos é a inovação, a divergência de ideias. Meu avô e meu pai trabalham com pecuária há mais de 40 anos. Lá atrás, as coisas eram muito diferentes. O que funcionava naquela época não é mais tão rentável, e mudar o pensamento deles, na minha opinião, é o maior desafio que temos”.

O segredo para resolver essa situação? Paciência e cautela nas escolhas tecnológicas. “Muitas vezes, minha ansiedade em inovar me levou a caminhos não tão seguros. Eles me ensinaram e ensinam muito sobre paciência e sobre como tudo tem o tempo certo para acontecer”.

 

Para ela, poder fazer parte deste trabalho é uma “escola”. “Sempre tem uma troca de ensinamentos. Aprendo algo novo todos os dias com a experiência deles e também posso ensiná-los. Posso dizer que eles são os meus ídolos. São os homens que mais admiro e tenho orgulho de dizer que sou neta e filha deles. Poder estar na pecuária ao lado deles me faz ser muito grata à oportunidade que tenho.”

De repente sócios

No caso de Ivan Reatte, 48, pai de Thamara Reatte, 26, dividir a gestão do negócio não foi algo planejado desde sempre. Segundo Ivan o processo foi bem natural. “A empresa possuía algumas demandas que se encaixavam com o perfil profissional da Thamara. Foi assim, primeiro de forma pontual, até chegarmos à conclusão de que seria melhor que determinados processos ficassem sob sua responsabilidade”. Juntos, atualmente eles gerenciam a Labareda, a primeira Boutique Sensual de Mato Grosso do Sul.

“Não foi uma decisão racional da minha parte. Eu cresci vendo o meu pai enfrentando jornadas duplas, às vezes triplas, para sustentar nossa família. A admiração e o respeito sempre foram enormes. Quando dei por mim, estava aprendendo mais com ele no dia a dia do que no banco da faculdade. Deixar o meu emprego de cerimonialista, aos 19 anos, para me dedicar à gestão da Labareda foi a coisa mais natural a se fazer.”

Em sete anos de trabalho em família, embora tenha aplicado diversas atualizações e novos conceitos, a maior dificuldade para ela foi encontrar a própria voz nas decisões administrativas. “Por sentir que estava em constante aprendizado e ter muito respeito pelo Ivan, demorei bastante tempo para entender que numa parceria, seja ela profissional ou pessoal, todos os lados têm o direito e dever de dar ‘pitacos’. É isso que faz o processo acontecer, essa soma de experiências e visões diferentes. Hoje nossas trocas são mais leves e produtivas.”

Outro ponto importante para a saúde da relação dos dois e para o sucesso da empresa foi saber separar os papéis de cada um e as necessidades profissionais das pessoais. “Quando tratamos de negócios, eu só o chamo pelo primeiro nome. Foi a forma que encontrei para não trazer os conflitos profissionais para a nossa relação familiar. Porque, no fim do dia, não importa se o fornecedor atrasou, se o deadline estourou ou qualquer outro problema… A relação com o meu pai é muito maior e mais importante que tudo isso.”

Quer planejar a sucessão familiar da sua empresa? Separamos um artigo que traz dicas para começar o planejamento e continuar essa sobrevivência do seu negócio.

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