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Tue Jun 02 20:49:14 GMT-03:00 2020
Empreendedorismo
Artigo | O virúvio
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Por Paulo do Eirado Dias Filho
Superintendente do Sebrae em Sergipe

No final da década de 1970, Faustino, estudava engenharia em uma jovem Universidade próxima ao Batistão, em Aracaju. Pela proximidade e comodidade, foi morar na rua Cedro – continuação, s/nº. O curioso endereço se devia ao fato que a rua terminava por causa de um canal que a atravessa ainda hoje, e “continuava” do outro lado sem ponte para os autos. Apenas a pé se chegava em casa. Ele, adaptado como um caranguejo, seguia pisando na lama fartamente hidratada pela chuva e pelas marés, exercendo seu direito de ir e vir.

Viver em um endereço sujeito as marés e trovoadas, fez do atual avô coruja Faustino, hoje aposentado, um “cobra” em dilúvios. Sem sobressaltos, ele viu as águas de março fecharem o verão de 2020. Como todos os anos, alagando os locais de sempre, mesmo já asfaltados.

Fera no assunto, nosso expert acreditava saber tudo sobre inundações até que... Os ares de março, encharcados por um vírus, portaram um invasor tão novato quanto ameaçador para nós humanos, o novo coronavírus, causador da covid-19. Com sua memória de elefante, Faustino ensina que nada, nem ninguém jamais conseguiu parar todo o mundo como esse vírus, exceto o emblemático Dilúvio bíblico. Pois, como cita o Primeiro Livro, o aguaceiro torrencial pôs todas as terras submersas (não só a continuação da rua Cedro), permitindo escapar apenas o obstinado Noé, seus familiares e casais de animais na providencial arca.

Menos catastrófica, a inundação virulenta dos nossos dias atingiu apenas os humanos e suas diversas atividades. Comandada pela cigarra do famoso conto, festeja a poupada natureza, como a demonstrar quão ameaçada estava por nós - predadores implacáveis; e refém de um modelo de desenvolvimento insustentável.

Com a economia curta como um coice de preá, ganhamos a possibilidade inédita de reflexão sobre a corrida desenfreada pelo crescimento do PIB, sem que este tenha uma direta relação com atenção à família, a fraternidade, a qualidade de vida, a felicidade, o bem-estar animal e de todos os seres vivos, a intensidade da relação para com nossas crianças e idosos, o maior zelo pela moradia, a justiça social, dentre outros nobres valores humanos materializados por nossas animações.

Animações essas derivadas do Latim “anima” que significa alma, ou que de forma mais simbólica se atribui a tradução de “sopro, ar, brisa”, belamente ilustrado em Gênesis: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. Que grandiosa imagem a demonstrar que ar e alma se originam de um mesmo arquétipo, e que o mal ou o bem de um reflete no outro.

Rápido como um falcão, Faustino etimologicamente associa que anima remete a animal e, então este é um ser animado por uma força interior, de comportamento previsível. Ou seja, atua obediente ao rígido padrão da espécie. Diferenciada, a raça humana tem a liberdade (potencial) de adotar comportamentos individuais.

E prossegue -; “se dividirmos a alma humana em seus mínimos pedaços, recriamos o reino animal”, citando o poeta Goethe. A genial afirmação revela a multiplicidade da alma humana a nos fazer ricos de possibilidades de animações, de maneira que todo comportamento animal é também um comportamento humano. Quem nunca virou uma onça, disfarçou como um camaleão ou quis hibernar como um urso? Quem nunca se relacionou com um espírito de porco?

Essa pluralidade de manifestações da alma humana é uma dádiva divina e simultaneamente uma grande ameaça, porque se não é dado ao macaco a chance de desmacacar, nem ao tigre destigrar, nem ao urubu desurubar, ao humano é dado desumanizar.

E quando tudo isso passar, Faustino? Isso tudo é como um dilúvio disfarçado de vírus, ou um vírus disfarçado de dilúvio. É um verdadeiro VIRÚVIO! E aí, meu amigo, só a certeza da indispensável metamorfose de nossas atitudes em prol de um mundo melhor porque, como visto, o sopro de ar infectado adoece até nossa alma. Entre lagartas e borboletas, selvagens e domesticados, gregários e isolados, façamos escolhas: quais animais, todos presentes em nossa fauna interior, levaremos para a nova arca? Novamente não haverá lugar para todos.

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