Artigo

Inovação é caminho obrigatório também para micro e pequenas empresas

Artigo do presidente do Sebrae, Carlos Melles, aborda a importância da inovação para os pequenos negócios

Quando ouvem falar de inovação, conceito bastante difundido nos últimos tempos, muitos micro e pequenos empresários acreditam que o assunto não diz respeito ao seu próprio negócio. Parte deles considera que isso exige bastante investimento em dinheiro e é só para grandes companhias. Outros acham que não têm o talento de Bill Gates, Steve Jobs ou Jeff Bezos, os geniais criadores da Microsort, Apple e Amazon, identificados com produtos e serviços revolucionários. Há ainda aqueles que veem a tendência como aventura destinada apenas a jovens dotados da criatividade e cheios de ideias, envolvidos na disputa feroz do mundo das startups.

Ao contrário dessas avaliações, entretanto, a inovação é muito mais acessível e universal do que se pensa. Todo tipo de atividade empresarial, de qualquer porte ou segmento, pode buscar esse tipo de solução para oferecer a seus clientes e, com isso, agregar valor aos seus produtos e serviços, conquistando diferencial competitivo no mercado.

Há também mudançascapazes de trazer ganhos relevantes,embora nem sempre tão visíveis aos olhos do cliente. São as chamadas inovações em processos, focadas nas diferentes etapas da gestão do negócio, no controle de desperdíciosou na redução do retrabalho, mediante introdução de mais eficiência e otimização. Sua aplicação leva à redução de custos e ao aumento da produtividade nas unidades, com impacto benéfico para o consumidor final.

São muitos os exemplos de sucesso de pequenos negócios que resolveram trilhar por esses caminhos, conforme está sendo mostrado e estudado no Mês da Inovação, iniciativa do Sebrae em outubro, com quase 20 mil inscritos nas 300 palestras gratuitas e online.

Este ano, um dos pontos altos da programação especial, ainda em andamento, é o espaço aberto para que as MPEsconheçam mais de perto a experiência das startups consideradas unicórnios e referência em inovação. Admitido ou não, o sonho de qualquer startup é se tornar uma delas, chegando ao valor de mercado acima de US$ 1 bilhão. A perspectiva de crescer sem limites é a força propulsora a mover milhares de integrantes da nova geração de empreendedores. No Brasil, apenas 10 empresas entraram para o clube exclusivo dos unicórnios nos últimos dois anos. Líderes de seis delas – 99 Táxi, Gympass, Nubank, Ifood, Ebanx e Loft – foram agendados para o evento Case Startup Summit 2020.

Mesmo quem não tem a pretensão de colocar uma startup de pé, a trajetória dos unicórnios constitui uma fonte riquíssima de inspiração para todo empreendedor, a começar pela capacidade em captar as necessidades dos consumidores e usuários nas mais diferentes áreas da vida contemporânea, inventando soluções simples e de grande alcance, convertidas em modelos de negócios disruptivos.

Um dos painéis da programação discutiu os avanços trazidos pelo novo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, instrumento para garantir maior segurança jurídica, principalmente ao esclarecer questões relacionadas ao apoio e estímulo entre os diversos atores do ecossistema de inovação, bem como para estimular as iniciativas no segmento, incluindo-se a simplificação de procedimentos para gestão de projetos na área.

Os participantes mostraram como o marco legal está sendo fundamental durante a pandemia do coronavírus, ao permitir a união de esforços entre o governo, institutos de ciência e tecnologia, universidades e empresas para a produção de insumos essenciais na área de saúde, bem como para facilitar a compra de vacinas. A pandemia, aliás, tem sido um fator de grande impulso para que as MPEs comecem a dar os primeiros passos na transformação digital, em particular pelas oportunidades geradas com o e-commerce, por causa das imposições e restrições do isolamento social e do trabalho via home office. Também vale a penaconhecer uma das iniciativas apresentadas: o Programa Centelha, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com diversos parceiros, entre eles o Sebrae. Somente na primeira chamada, o programa mobilizou 35 mil empreendedores em 17 Unidades da Federação, dentre as quais 2.000 startups.

O Brasil ocupa a 62ª colocação no ranking global de inovação, uma posição que está aquém da relevância da nossa economia e do potencial criativo da nossa gente. Na ocasião em que se comemora o Dia da Inovação, em 19 de outubro, esse o é desafio proposto: podemos fazer bem mais e muito melhor, com a participação de todos, em particular mediante engajamento das micro e pequenas empresas.