Empreendedorismo

Programa de educação empreendedora completa 10 anos com mais de dois mil jovens profissionalizados

A iniciativa forma alunos em administração focados em inovação, muitos saem do curso direto para o mundo dos negócios

O Núcleo de Empreendedorismo Juvenil (NEJ), iniciativa da Escola do Sebrae de Minas Gerais, completa dez anos de funcionamento com a marca de dois mil alunos formados. O programa tem como objetivo principal dar formação técnica em administração, focada em empreendedorismo para jovens em situação de vulnerabilidade social, que estão concluindo o ensino médio. Além dos estudos, o NEJ oferece gratuitamente refeição, vale-transporte e uniforme. Atualmente, o projeto destina 330 vagas anuais, nos turnos manhã ou tarde, para estudantes entre 16 e 24 anos.

O curso técnico de administração do NEJ é diferente da rotina que os alunos costumam ter na escola. A começar pelo espaço que foi criado para o desenvolvimento das aulas, com apoio do governo estadual, onde o NEJ tem uma estrutura altamente tecnológica. Localizado dentro da área do Plug Minas, projeto com foco em formação e experimentação digital, o prédio conta com salas bem equipadas, ar condicionado, material e logística para didáticas diferenciadas, biblioteca e espaço de convivência – tudo isso em meio a uma grande área verde, que forma uma espécie de campus para as iniciativas do Plug Minas e parceiros.

A metodologia de ensino também é inovadora, os alunos percorrem trilhas de ensino que vão desde o primeiro contato com o mundo dos negócios, conhecendo conceitos e características do empreendedorismo. Passam pela construção de uma empresa virtual, onde trabalham em todos os setores: marketing, financeiro, recursos humanos, logística, entre outras. Em seguida é hora de partir para a prática e iniciar um plano de negócio real, para que seja de fato implementado, caso haja interesse. Todos os processos são acompanhados de perto por professores especializados, que incentivam e orientam os estudantes a criarem soluções aplicáveis à sua própria realidade.

Nesse sentido, a gerente de Educação e Empreendedorismo do Sebrae Minas Gerais, Fabiana Pinho, explica que o conceito de empreendedorismo absorvido pelos jovens está muito relacionado a um legado. “A própria realidade dos estudantes os coloca em uma posição de empreender e vencer os obstáculos que a vida os impõe. Percebemos que a noção de empreendedorismo se desenvolve muito ligada a um propósito, a um desejo de que as ações promovam um significado na vida do aluno e da comunidade onde vive. Esses jovens já vêm de uma realidade que os obrigou a correr atrás desde cedo para realizar seus sonhos. Então, as oportunidades que chegam são abraçadas com um ímpeto muito forte, e isso se reverte em aprendizado potencializado”, afirma.

Frederico Amorim hoje com 29 anos, fez o curso em 2011 e saiu do NEJ com o projeto do que viria a se tornar o seu negócio. A Mix Lanches recebe encomendas de festas infantis, comemorações diversas e coffee breaks, além de ter contratos regulares fechados com vários clientes. Morador do Morro das Pedras, em Belo Horizonte, Amorim conta que desde os 12 anos empreendia vendendo balas para comprar uma bicicleta. Aos 15 anos cuidava de uma lan house com o irmão, até que encontrou um panfleto que falava sobre o NEJ. “Foi outro mundo que se abriu para mim. Sempre tive dificuldade para aprender, já fui expulso de três escolas. Tenho amigos que foram para o crime, que morreram. Venho de uma realidade que não tinha muitas oportunidades. Por isso eu sou muito grato ao Núcleo. Lá eu percebi um potencial que eu nem sabia que tinha. O curso provocava a gente o tempo todo, estimulava a sair da curva e querer mais”, declara.

Outro empreendedor nato que passou pelo NEJ é Wericson Souza. Formado em 2014, aos 23 anos, o jovem montou sua empresa de doces logo no ano seguinte. Antes de aprofundar os conhecimentos em empreendedorismo na Escola do Sebrae, ele já havia vendido doces e bombons. Foi aí que nasceu a vontade de ter a sua própria loja. Após distribuir vários currículos e não ter sucesso, decidiu tomar coragem abrindo a Provocatto Cacau. “Minha meta era começar com uma food bike, depois talvez um quiosque em shopping. Agora que tenho a loja física, quero ter minha própria cozinha e, quem sabe um dia, transformar a Provocatto em uma franquia conhecida no país todo. O Barreiro vai ficar pequeno para a gente”. Souza relembra com gratidão todas as orientações que recebeu no NEJ: “Além de comprarem e elogiarem meus chocolates, os professores me ensinaram a escolher um nome, a fazer a marca, a entender a importância de se formalizar, a fazer o planejamento adequado, e muitas outras coisas”, enumera.