Outubro da Inovação

Startups revolucionam seus modelos de negócio para conquistar novos mercados

Por meio de um processo de pivotagem, as empresas podem identificar novas oportunidades e abandonar estratégias que limitavam o crescimento

Nos últimos anos, uma palavra nova entrou para o universo das startups brasileiras: pivotar. O conceito, surgido no Vale do Silício, corresponde a dar uma guinada radical nos rumos de uma empresa que não está tendo o sucesso esperado, com base na própria experiência adquirida. Uma startup que decide pivotar é aquela que percebe que é preciso se reinventar e reformular completamente o plano de negócio de modo a tentar novas oportunidades a partir dos elementos que já existem.

A decisão de pivotar a empresa é resultado de um profundo domínio sobre a gestão do negócio, do amadurecimento do empresário (a partir de uma vivência de erros e acertos) e de um bom planejamento. O empreendedor precisa ter bastante flexibilidade para perceber quando é hora de abandonar um caminho que não está dando certo e um olhar atento para perceber uma oportunidade que está – muitas vezes – embaixo do próprio nariz.

A empresária Denise Barroso viveu a experiência de pivotar sua empresa, em 2019. Ela conta que havia criado, juntamente com o sócio, Cesar Rabelo, um negócio especializado em oferecer experiências às pessoas. Por meio da internet, eles vendiam “caixas-supresas” que eram customizadas com fotos selecionadas pelos clientes e presenteadas a amigos e parentes. Mas eles perceberam que o modelo de negócio tinha limitações: sofria a interferência de fatores externos (dependia da entrega dos Correios), não tinha receita recorrente e – por conta desses fatores – enfrentava problemas de escalabilidade.

Foi nesse momento que os sócios resolveram revolucionar o negócio. Partindo da experiência de Denise com o universo da gestão de relacionamento e do sócio, com o ambiente da tecnologia, eles reformularam completamente o plano de negócio. Assim, apesar de continuar focada na experiência dos clientes, a empresa saiu do formato B2C para B2B e migrou integralmente para o ambiente online. Hoje, a Pliq oferece a outras empresas a possibilidade de uma forma inovadora de relacionamento com seus clientes, onde é possível aferir o nível de satisfação dos consumidores com o atendimento, com o produto e com o suporte. Denise comenta que a Pliq tem clientes em diversos segmentos de atividade, como alimentação, tecnologia e entretenimento. A plataforma atende especialmente às empresas com mais de 150 clientes, que passam a enfrentar uma dificuldade de interação com seus clientes e que podem – a partir da ferramenta que sua empresa disponibiliza – antecipar tendências e os movimentos dos seus consumidores. O próximo passo da dupla de empresários é expandir o negócio para o exterior. Eles já planejam, a partir de um processo de aceleração, a internacionalização da empresa, em 2021.

Apoio do Sebrae

O Sebrae oferece, em todos os estados do Brasil, programas de aceleração (de curta, média e longa duração), onde as empresas podem desenvolver suas ideias e pivotar seus planos de negócio para se adaptarem aos desafios dos novos tempos.

Outra alternativa oferecida pelo Sebrae é o Programa Agente Local de Inovação (ALI). Nos últimos 10 anos, a instituição tem investido nessa política de extensão tecnológica. O objetivo é promover a prática continuada de ações de inovação nas empresas de pequeno porte, por meio de uma orientação proativa, gratuita e personalizada. Através do programa, bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), selecionados e capacitados pelo Sebrae, têm o objetivo de acompanhar e disseminar a cultura da inovação nas empresas.