EMPREENDEDOR

Uma análise sobre a taxa de empreendedorismo no Brasil

Conheça um panorama da cultura empreendedora nacional. Esse estudo foi realizado tendo como base a pesquisa GEM para o triênio 2014/2016.

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Dentre vários aspetos analisados pela pesquisa GEM no período de 2014 a 2016, um deles é a taxa específica de empreendedorismo, ou seja, o percentual da população envolvida em atividades empreendedoras.

A pesquisa divide os empreendedores em dois grupos:

  • Empreendedores iniciais, aqueles que têm até 3,5 anos de atividade em algum tipo de negócio.
  • Empreendedores estabelecidos que têm negócios com mais de 3,5 anos.

A taxa de empreendedores iniciais (TEA) do Brasil se diferencia dos demais países pesquisados na GEM já que a atividade empreendedora masculina é praticamente igual a feminina.

Tanto nos países mais desenvolvidos quanto nos países menos desenvolvidos o empreendedorismo na fase inicial geralmente é liderado pelo gênero masculino.

No entanto, na taxa de empreendedores estabelecidos (TEE) o Brasil se comporta como os demais países. Ou seja, os homens predominam. Mulheres e homens conseguem iniciar uma atividade empreendedora, mas depois de algum tempo muitas mulheres desistem do empreendimento.

A rotina de uma mulher brasileira é diferente da rotina de um homem. Muitas já são chefes de família e concomitantemente sustentam os membros com o seu empreendimento. De 2004 a 2014 houve um aumento de 67% de aumento de mulheres que são “chefes de família” conforme a Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE em dezembro de 2015.

Um programa de educação empreendedora certamente poderia preparar melhor as mulheres para organizarem-se para que as atividades inerentes aos negócios não atrapalhem a rotina doméstica. A jornada de trabalho feminina de afazeres domésticos é de 21 horas semanais contra 10 horas de atividades domésticas masculinas.

Esse tipo de programa também pode ajudar também as mulheres negociarem melhor a aprovação de um financiamento. Portanto, é muito importante a existência de um programa de educação empreendedora especialmente no âmbito universitário para que as mulheres possam se manter ativas como empreendedoras estabelecidas.

Analisando TEA por faixa etária no período de 2014 a 2016 o grupo que mais empreende em 2014 e 2016 está entre 25 a 34 anos e o grupo com menos empreendedores é o de 55 a 64 anos. O Brasil se comportou como a grande maioria dos países pesquisados, com exceção do México em 2014, onde a faixa etária que mais empreende é a de 35 a 44 anos.

Neste mesmo período a TEE por faixa etária no Brasil e na maioria dos países pesquisados mostra que o grupo que mais empreende é a de 45 a 54 anos e a que menos empreende é a de 55 a 64 anos.

Nota-se claramente que é necessária uma atuação no fomento ao empreendedorismo no grupo de 55 a 64 anos especialmente para aqueles que já se aposentaram ou estão pensando em se aposentar. Tanto na TEA quanto na TEE eles são os menos estimulados a empreender. Este público possui tempo disponível, habilidades e vocações já desenvolvidas.

Quando se faz a análise da TEA por escolaridade em 2014 constata-se que o Brasil é o único país pesquisado em que aqueles que mais empreendem tem a escolaridade entre primeiro grau completo e segundo grau incompleto. Quem mais empreendeu foi aqueles que tinham secundário completo. Ou seja, nesses anos o empreendedorismo por necessidade imperou no Brasil.

Em 2016 houve uma grande evolução no perfil de escolaridade e aqueles com experiência em pós-graduação empreenderam mais que os demais grupos. Mesmo com o aumento do nível de escolaridade, a crise econômica e o constante aumento da taxa de desemprego que chegou a 12% no último trimestre de 2016 influenciou muito na adesão desse grupo a atividade empreendedora. Ou seja, nem sempre o nível alto de escolaridade implica num empreendedorismo por oportunidade. Isso é reflexo do ambiente político econômico do país que leva os mais preparados a buscarem no empreendedorismo uma alternativa de manutenção de renda, ou seja, ainda temos o empreendedorismo por necessidade.

Na TEE podemos observar que no Brasil durante o período de 2014 a 2016 os empreendedores com até o segundo grau incompleto é o grupo mais ativo. A realidade do empreendedorismo por necessidade persiste.

Investimento em educação e situação econômica e política podem afetar o diretamente o empreendedorismo no País. No entanto educação é o fator primordial pois será por ela que também poderemos mudar a situação econômica e política do Brasil. É o investimento que dá maior retorno para o país.

Por Nidia Caldas

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