COMPETITIVIDADE

Como destravar a inovação na sua empresa

Inovar é render-se aos riscos, ainda que meticulosamente calculados

Inovar é um verbo utilizado em inúmeras áreas, dentro de contextos diversos. Inovar significa introduzir novidade dentro de um sistema preestabelecido. Primeiramente, é necessário distinguir os conceitos de inovação e de invenção. Uma inovação é respaldada por uma invenção. Porém, nem toda invenção culmina numa inovação. 

O inventor pode perfeitamente criar algo novo, mas se sua criação não produzir valorização econômica, não podemos dizer que se trata de uma inovação. Aliás, inúmeras invenções sequer chegam ao estágio da valorização econômica.

Ao vermos o sucesso fulgurante de certas empresas inovadoras como a Apple ou o Google, somos imediatamente convencidos dos benefícios da inovação. Contudo, grande parte das empresas ainda inova pouco, ou mesmo evita inovar (de maneira radical, em todo caso). Ao contrário do que parece, essa escolha é racional. 

A verdade é que o processo de inovação é extremamente custoso. Custoso em despesas de P&D para a criação de um novo produto, em novos equipamentos para produzi-lo, em investimentos variados para a utilização de novos materiais no processo produtivo, bem como para a implantação de um novo processo ou de uma nova organização do trabalho. 

Além disso, a inovação pressupõe, entre outras medidas, a reorganização da cadeia de suprimentos, o recrutamento de novas competências e o lançamento de campanhas de comunicação que irão abrir lugar no mercado para o novo produto. 

Além de custosa, a inovação é arriscada. O risco da inovação é essencialmente comercial. Os novos produtos podem não encontrar seu público, pois perturbam os hábitos de consumo do cliente, que se vê mais desconfiado do que entusiasmado perante a novidade. 

As inovações comportam, paralelamente, riscos técnicos. Não é incomum que uma nova tecnologia precise vencer sua própria fragilidade e suas imperfeições antes de ser completamente dominada.

Inovar para não morrer 

A pressão dos concorrentes diretos é, obviamente, a principal razão dessa obrigação de inovar, que se confunde com a obrigação de se manter competitivo num mercado dinâmico. 

A maioria das empresas, em particular as de micro e pequeno porte, adapta-se a inovações concebidas e desenvolvidas por terceiros. Mas não podemos pensar que existe uma inovação passiva.

A adoção de uma inovação existente no mercado sempre exigirá um esforço individual, mesmo que reduzido, de adaptação e de aperfeiçoamento. Dito de outra forma, a nova tecnologia ou o novo produto acarretarão, certamente, uma evolução do processo produtivo, da organização do trabalho e da estrutura de competências da empresa.  

Habilidades necessárias para inovar 

  • Habilidades científicas e técnicas: capacidade de gerenciar, adquirir e criar conhecimento e tecnologias inovadoras
  • Habilidades de mercado: conhecimento e antecipação do mercado-alvo para produzir as inovações que ele espera
  • Habilidades de integração ou combinação: permitem à empresa reunir e combinar disciplinas e aptidões para criar novas aplicações ou novo conhecimento
  • Habilidades organizacionais: capacidade da empresa de se transformar no intuito de se adaptar à mudança
  • Habilidades gerenciais: capacidade da organização (e de seus dirigentes) de colocar a criatividade e a inovação no centro da estratégia empresarial

As habilidades necessárias para a produção de inovação são múltiplas, mas todas requerem que as empresas sejam capazes de explorar, de maneira eficaz, os recursos disponíveis para imaginar o novo. 

A empresa inovadora é uma empresa que, mesmo estando segura de sua própria identidade, continua aberta às mudanças e às propostas vindas do ambiente externo. Os colaboradores se reconhecem nesta identidade inovadora e compartilham de seus valores. 

Da mesma maneira, a importância da governança não deve ser negligenciada. As empresas mais inovadoras são comandadas por dirigentes com perfis empreendedores, que ousam tomar decisões estratégicas audaciosas para redefinir os rumos do negócio. 

10 conselhos para estimular a inovação na sua empresa 

1. Dê o primeiro passo 

Dê o exemplo e encoraje a inovação junto dos empregados. Faça da inovação uma prioridade estratégica. Seus colaboradores têm um enorme potencial de inovação, mas é preciso catalisar a criatividade deles. 

2. Evite o pensamento vertical, reflita horizontalmente 

Ideias frutíferas não são exclusivas de uma função ou de um cargo. Boas ideias se encontram em todos os cantos e níveis da empresa. Elimine os intermediários e deixe que elas circulem livremente. 

3. Atribua a responsabilidade da inovação a uma pessoa 

Isso não significa que esta pessoa deva inventar tudo sozinha. Porém, ela deverá se assegurar de que suas ideias interessantes serão desenvolvidas. 

4. Nunca diga “não” logo de início 

Novas ideias podem ser inconvenientes. Mesmo assim, elas merecem uma chance. Uma ideia totalmente irrealista gerará, quem sabe, outra muito mais forte e estruturada. Inovar é "sair dos trilhos".

5. Dê tempo à inovação 

Equipes permanentemente sobrecarregadas não podem ser mobilizadas para inovar. Dê aos colaboradores o tempo necessário para que pensem em soluções inovadoras. 

6. Dê lugar à inovação 

Dedique à inovação um espaço reservado que possa ser livre e permanentemente acessado por todos os colaboradores da empresa. 

7. Crie uma rede de relacionamentos propícia à inovação 

Busque a inspiração na fonte. Relacione-se com pessoas que têm uma visão original do ofício. Seja curioso. Interesse-se pelo trabalho de certos pesquisadores, acompanhe a evolução de spin-offs ou de outras empresas inovadoras. Elas são o combustível da sua criatividade. 

8. Envolva clientes e fornecedores 

Clientes e fornecedores podem lhe fornecer feedbacks preciosos. Escute-os.

9. Experimente 

Não espere que um projeto inovador esteja quase pronto para colocá-lo em prática. Aproveite o lançamento para testá-lo.

10. Ouse fracassar 

Ninguém é infalível. Recusar-se a errar ao menos uma vez vai contra todo o espírito da inovação. Inovar é render-se aos riscos, ainda que meticulosamente calculados.

Manoel de Rezende Castello Branco
Analista do Sebrae em Minas Gerais