Fri Mar 10 10:51:20 GMT-03:00 2017
Empreendedorismo
Como incentivar o empreendedorismo nas universidades
A maioria dos alunos deseja saber mais sobre o tema e como aplicá-lo em suas carreiras. Entenda os parâmetros desse cenário e como ele pode ser potencializado.
  • Educação empreendedora
  • Nas universidades
  • Mudança de perfil

A abertura de negócios inovadores é algo essencial para o desenvolvimento do país como um todo. E se o jovem é o futuro da nação, como o chavão bem diz, os estudantes universitários precisam ser os estimulados e apoiados no caminho do empreendedorismo.

Mas o cenário no Brasil é um tanto desanimador: apenas 38,78% das universidades oferecem iniciativas de empreendedorismo e somente 6,2% tratam do tema de forma profunda. Em contrapartida, são 56% os alunos interessados em ter acesso a disciplinas correlacionadas, mas que ficam desamparados e sem incentivo para abrir o negócio próprio.

Dentro das universidades, pouco mais da metade dos professores que são considerados referência em empreendedorismo realmente empreendeu. Ou seja, eles estão ensinando algo que nunca viveram na prática. Some a isso o minúsculo índice de 6,3% de professores que de fato procuram se atualizar com profissionais ativos no mercado. O resultado disso tudo? O ambiente universitário forma profissionais teóricos e desatualizados das tendências tecnológicas.

Educação empreendedora

Com base na pesquisa de universidades, um diagnóstico foi criado, com base nos três principais pilares para a melhora desse cenário. São eles:

  • Jornada do empreendedor: a universidade deve oferecer um ciclo com suporte às diferentes fases do empreendedor, desde discussões introdutórias, passando por práticas de prototipação, até a abordagem de temas como gestão e escala;
  • Acessibilidade: todos sabemos que empreender é muito mais do que abrir um negócio, é a atitude para resolver problemas, por isso as iniciativas universitárias devem ser ofertadas de forma ampla à diferentes públicos;
  • Conexão com o mercado: de nada adianta aprender diversos conceitos que não são úteis para o dia a dia do empreendedor. Além disso, a comunidade empreendedora de determinada região pode ser a maior aliada da universidade, instigando a inovação e criação de uma rede de apoio.

Trazendo a teoria para o lado mais prático, para criar uma Jornada empreendedora e melhorar a conexão com o mercado, que tal convidar mentores do mercado para debater e conversar sobre temas do ecossistema empreendedor? Já que não são todos os professores da área empreendedora que têm a possibilidade de realmente serem empreendedores, é mais do que necessário que a instituição faça a ponte e abra espaço para que os profissionais do mercado auxiliem na formação dos alunos e curem esse déficit.

Ou seja, manter e alimentar o contato dos universitários com mentores do mercado é imprescindível para aumentar as possibilidades de novos negócios e de aprendizado. Fazer a ponte entre professores e os profissionais que atuam no campo prático também agregará nas informações transmitidas em aula. A Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, conseguiu criar um programa que é exemplo nessa boa prática.

Nas universidades

Quando o objetivo é formar um ambiente que dê auxílio ao universitário, a Universidade de Princeton tornou-se referência no assunto. No início de 2016, a instituição reelaborou as suas diretrizes internas e, assim, passou a dar mais atenção ao tema do empreendedorismo.

Dentre diversas ações, destacam-se a redução de alunos por sala de aula para que debates sejam mais aprofundados e assim o pensamento crítico também, e criação de um comitê composto por professor, alunos, ex-alunos e funcionários que, juntos, têm a função de criar planos de ação de acordo com as necessidades da faculdade.

O comitê criou o fundo para ex-alunos empreendedores que proporciona até cem mil dólares para Startups de jovens empreendedores alumni em forma de dívida conversível. O fundo já investiu em mais de dez startups bem-sucedidas. De forma colaborativa, Princenton criou uma agenda empreendedora que atendia a todos os seus agentes, alinhada com os seus ideais, e conseguiu trazer mudanças para a instituição de maneira simples e rápida.

Uma iniciativa muito interessante vinda da Universidade de Houston é a criação de programas de mentoria personalizados. Funciona da seguinte forma: se o aluno tem bom know-how na área de finanças, ele é chamado para a mentoria em marketing digital para ampliar e diversificar a sua visão como gestor. Assim, os universitários vão tornando-se profissionais mais completos mesmo que não tenham a finalidade de virem a abrir seu negócio próprio.

Os programas de mentoria são imprescindíveis dentro do ambiente universitário, e isso pode ser comprovado já que 60% dos alunos que têm vontade de empreender concordam que os mentores foram essenciais para que surgisse o desejo de empreender. Além disso, 66,3% dos potenciais empreendedores já procuraram por mentores antes mesmo de abrirem seus negócios.

E não é só nos Estados Unidos que temos bons exemplos dentro das universidades, a Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos) desenvolve um projeto de Atividades Integradoras que conecta os alunos com a prática de maneira a realmente pôr a mão na massa.

Unisinos: juntando gente boa para fazer o bem

Em parceria com a Cooperativa Mundo+Limpo – um grupo de mulheres do município de São Leopoldo/RS, que visa obtenção de recursos econômicos através da produção e venda de produtos de limpeza feitos à base de óleo de cozinha reciclado – os alunos tiveram a oportunidade de conhecer os desafios da rotina empreendedora e fortalecer o protagonismo de uma comunidade em situação de vulnerabilidade social.

Carolina Reyes, interagente da cooperativa, conta que a troca entre elas e os alunos foi muito rica, já que depois do projeto foram implantadas mudanças que potencializaram as vendas, ajudando a resolver conflitos de gestão e otimizando a produção. Já os alunos se beneficiaram de viverem de fato o dia-a-dia do empreendedor, saindo das anotações teóricas e desvendando dúvidas em campo.

Projetos como o da Unisinos são imprescindíveis visto que é constatado que 69% dos alunos empreendedores, ou inclinados a um dia serem, já cursaram disciplinas correlacionadas. Outro dado relevante é que enquanto 65% dos professores sentem-se satisfeitos com as iniciativas disponíveis nas universidades, o baixo número de 36% dos alunos concorda com os educadores.

Vídeo: Empreendedorismo nas universidades brasileiras em 2017

Mudança de perfil

São 6% os universitários que estão empreendendo e os 21% que pretendem empreender. Sendo assim, é mais do que necessário oferecer suporte com mentorias e programas especializados. Do total dos já empreendedores, apenas 10% têm a pretensão de ter mais do que 25 funcionários e somente 10,4% deles criaram algo que consideram novo para o mercado nacional.

Se o corpo pedagógico das universidades se dispuser a desvendar os mistérios do mundo nos novos negócios e tornar acessível a discussão sobre o tema, certamente despertaria a imaginação e curiosidade dos 73,3% de alunos que nunca nem pensaram na viabilidade de executar aquela ideia que está guardada na cabeça há tempos e incentivaria a deslanchar projetos dos outros que já estão ou querem empreender.

Feito em parceria com a Endeavor Brasil.

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