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Finanças | PONTO DE EQUILÍBRIO

Conheça os sintomas e as causas de desequilíbrio financeiro na empresa

Identifique os principais problemas de caixa do seu negócio, descubra quais as possíveis causas e aprenda a retomar o controle.

· 16/12/2016 · Atualizado em 20/12/2016

Sintomas

O primeiro e talvez mais importante sintoma do desequilíbrio financeiro é a insuficiência crônica de caixa e a dependência constante de empréstimos. Presume-se que a empresa ainda não conseguiu dimensionar corretamente o seu capital de giro, necessitando sempre de recursos de curto e médio prazo.

Outro sintoma é a captação de recursos por meio de taxas de juros superiores à rentabilidade. É muito comum encontrarmos empresas utilizando financiamento de cheque especial, cartão de crédito e empréstimos informais para bancar sua necessidade de capital de giro. Isto fatalmente afeta a lucratividade e a rentabilidade do empreendimento.

Observa-se também que mudar constantemente de fornecedores é sintomático de desequilíbrio financeiro, pois a inadimplência e a prorrogação dos prazos de pagamento levam ao fechamento de crédito com os fornecedores.

A alteração constante no foco talvez seja um dos sintomas mais críticos, pois os resultados alcançados na atividade fim do empreendimento não satisfazem às necessidades financeiras dos sócios, gerando atividades paralelas, muitas vezes diferentes da concepção estratégica do empreendimento.

Causa e solução interna

Se sua empresa enfrenta desequilíbrios financeiros, algumas dessas causas podem ter origem eminentemente na própria gestão do negócio. Se seu negócio passa por alguns dos processos abaixo mencionados, provavelmente seu caixa deve estar sofrendo algumas dessas consequências.

Muitas vezes, no intuito de vender mais e aumentar a competitividade do negócio, o empresário aumenta o prazo de venda. Sabe-se que em alguns setores a decisão de compra dos clientes está intimamente relacionada à concessão de prazo, o que implica investimento em capital de giro; no entanto, se não for bem dimensionado, poderá gerar um desequilíbrio financeiro. Deve-se sempre atentar ao melhor dimensionamento dos prazos de pagamento e recebimento. Ciclos financeiros menores do empreendimento representam menor necessidade de capital de giro.

Também podemos apontar processos de crescimento sem planejamento de fontes de recursos como causa de desequilíbrios. Pode-se perceber, principalmente nas indústrias de transformação e no comércio, empreendimentos com altas taxas de crescimento do faturamento, porém com a mesma ou menor rentabilidade. Isso se deve ao mau planejamento financeiro, pois o aumento das vendas em empresas com ciclo financeiro positivo acarretaria, necessariamente, novas fontes.

A baixa  produtividade de empreendimentos pode alongar o seu prazo médio de estoque, o que obrigatoriamente aumentaria a sua necessidade de capital de giro, levando à busca inadequada de financiamento.

A baixa liquidez de ativos, ou seja, a rapidez que um bem ou título pode ser convertido em dinheiro, pode ser também a causa indireta de desequilíbrios financeiros.

Por fim, e não menos importante, as retiradas incompatíveis dos sócios, muitas vezes superiores à capacidade de pagamento da empresa, geram desequilíbrios mesmo em empresas com boa rentabilidade e lucratividade.

Fontes internas de financiamento

Muitas vezes o empresário pode custear o negócio utilizando fontes internas de financiamento, gerando melhores oportunidades de equilíbro das finanças da empresa. 

A negociação e concessão pelos fornecedores de melhores condições de compra de estoque e aquisição de imobilizado, seja através de prazos mais alongados, seja através de taxas de juros diferenciadas, são uma excelente alternativa de melhorar a disponibilidade financeira por meio da gestão de fontes internas de financiamento.

Na outra ponta, o adiantamento de clientes por meio de antecipação de valores provenientes de vendas pagas, tanto parcialmente como integralmente, também são boas alternativas.

O lucro também é uma interessante fonte de financiamento da necessidade de capital de giro.

Causa e solução externa

Se sua empresa enfrenta desequilíbrios financeiros, algumas de suas causas podem ter sua origem também em fatores externos.

Como causa ou consequência, o fato é que encargos financeiros elevados na maioria das captações de recursos da empresa prejudicam o equilíbrio financeiro. É importante buscar e negociar alternativas estratégicas de financiamento para a empresa.

O aumento generalizado da inadimplência pode afetar a relação entre concessão de crédito do empresário e seu cliente. O achatamento salarial, o desemprego, as grandes crises econômicas e naturais podem causar o aumento geral da inadimplência. Pior que não vender é vender e não receber.

O aumento da concorrência, mesmo derivada de modismos e da euforia em determinados segmentos, pode causar uma proliferação anômala de empresas do mesmo segmento, o que inevitavelmente reduziria as vendas.

A redução das vendas causadas por retração geral ou setorial de mercado, como a redução do crescimento econômico do país, afeta a situação financeira da empresa. Os empresários devem buscar alternativas inovadoras para minimizar estas questões.

Muitos segmentos são vulneráveis às alterações de determinadas alíquotas. Empresas que trabalham com estoques vulneráveis ao câmbio, impostos ou outras alíquotas podem se ver em eminência de desequilíbrio financeiro; nesses casos, a previsão e o acompanhamento dessas alterações devem ser cuidadosamente analisados.

Uma política salarial e as variações de custos e despesas incompatíveis com as receitas operacionais geram dificuldades financeiras, requerendo do empresário o controle apurado de custos e despesas, a formação do preço de venda e do cálculo do ponto de equilíbrio.

Principais alternativas de financiamento externo

Também existem alternativas externas para equilibrar a situação financeira do seu negócio. Saiba quais são elas:

  • Desconto de duplicatas/promissórias: a empresa transfere esses títulos para o banco e obtém capital de giro para alavancar seus negócios com recebimentos à vista.
  • Desconto de cheques: os cheques pré-datados são entregues e descontados antecipadamente no banco que fornece à empresa empréstimo equivalente para cobrir eventuais necessidades de caixa ou capital de giro para novas oportunidades.
  • Conta garantida: linha de crédito rotativa vinculada à conta-corrente da empresa, com cheques pré-datados, duplicatas ou notas promissórias como garantia. Os recursos são disponibilizados a qualquer momento, de acordo com o fluxo de caixa da empresa.

Conheça também alternativas para quem deseja melhorar as condições de negociação com fornecedores ou mesmo realizar investimentos:

  • Vendor: substitui o financiamento direto do fornecedor aos seus clientes pelo financiamento bancário.
  • Compor: financia a aquisição de estoques e matérias-primas para pagamento à vista aos fornecedores, diretamente na conta-corrente indicada e, ao mesmo tempo, paga a compra a prazo.
  • Cartão de crédito: utilizado para bens e produtos em estabelecimentos comerciais conveniados para a liquidação parcial ou integral de fatura futura.
  • Leasing: opção de médio e longo prazo para a aquisição de veículos, máquinas e equipamentos. O pagamento ao fornecedor é feito à vista, permitindo que o cliente negocie o melhor preço.
  • Linhas de financiamento: a forma mais tradicional de empréstimos e deverá ser negociada junto a uma instituição financeira ou a uma instituição de microcrédito.
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