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Wed May 23 10:24:08 BRT 2018
Empreendedorismo | EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA
Empresas e universidades: uma parceria de valor

Terceirizar a pesquisa para estudantes pode ser interessante para reduzir custos, aumentar a tecnologia e fomentar projetos criativos.

· 22/11/2016 · Atualizado em 23/05/2018
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A velha história de como tirar as ideias do papel é o clichê que assombra a vida de quase todo empreendedor. Os projetos inovadores pipocam na cabeça, mas falta braço e tecnologia para ver a criança crescer, já que seria necessário um altíssimo investimento em estrutura e pesquisas.

Mas você já parou para pensar que, com certeza, existem diversas pessoas por esse mundão afora interessadas em ajudar a desenvolver seu projeto?

Imagine que, no ano de 1994, havia um dentista incomodado com os procedimentos comuns para os tratamentos dentários. Pensando em como aumentar o conforto de seus pacientes, começou a buscar formas de desenvolver equipamentos menos agressivos no fundo de seu consultório.

Toda a produção era em pequena escala e artesanal. Em pouco tempo, Roberto, o dentista de quem estamos falando, já tinha certeza de que o produto era pra lá de bacana. Nessa mesma época, uma amiga próxima sofreu um acidente e estava desempregada. Para ajudá-la, Roberto sugeriu que ela comercializasse sua invenção. E lá se foi a moça bater de porta em porta para gerar renda.

Em três semanas: susto! Ela estava ganhando até mais do que o próprio Roberto.

Foi quando ele começou a levar o negócio a sério e aumentar a escala de produção. Criou a Angelus, foi desenvolvendo mais produtos e conquistando clientes. Depois de cinco anos, uma coisa era fato: seus produtos, ainda que simples, funcionavam, e ele estava no caminho certo. Mas, mesmo assim, ainda faltava alguma coisa. O produto tinha baixo valor agregado e a empresa tinha crescimento lento. Ele percebeu que não dava mais para continuar a produzir sem tecnologia.

Foi nesse momento que ele apresentou sua proposta para universidades e descobriu que está cheio de universitários por aí loucos para poder ter em mãos aquele projeto inovador – que pode ser o seu – para mandar bala nas pesquisas.

Mas o que eu ganho com isso?

Funciona assim: empresas que não estão dispostas a investir em equipamentos e tecnologia suficientes para manter uma estrutura de pesquisa internamente fazem uma parceria com universidades que estão interessadas em ampliar seu campo de pesquisa, desenvolver seus estudantes (de graduandos a doutorandos, não só quem está começando) e aumentar sua linha de crédito para realizar pesquisas. Dessa forma fica interessante para os dois lados. E foi exatamente isso que Roberto fez.

O dentista levou a Angelus, sua empresa até então pequenininha, para ser desenvolvida no Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA), na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e no Centro Técnico da Votoran Cimentos. Foram esses os primeiros centros de estudo a abraçar sua pesquisa e viabilizar o desenvolvimento de seus produtos.

Papelada que vale a pena preencher

É importante que você saiba que o caso da Angelus tinha uma dificuldade bem peculiar: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é muito rigorosa com o tipo de produto desenvolvido por ele. Além disso, naquela época, a parceria entre universidade e empresa ainda não era permitida, mas Roberto conseguiu desenvolver alguns produtos com as universidades num processo ainda bem rígido, enfrentando bastante burocracia. A partir de 2005, o cenário começou a mudar e vem sendo atualizado.

Foi promulgada uma série de leis e decretos que facilitam essa possibilidade. Hoje em dia, algumas universidades têm um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), que tem como um dos seus objetivos aproximar universidade e empresas. “Mesmo assim, ainda é algo novo e burocrático. Apesar dos NITs mais antigos terem algo em torno de cinco ou seis anos, ainda não estão muito consolidados. Se existe um ponto negativo nesse tipo de relação, se chama burocracia, porque a universidade não tem a mesma pressa que a empresa”, explica César Bellinati, Diretor de P&D da Angelus.

A história de Roberto Alcântara foi de sucesso extremo. Hoje, ele exporta para mais de 65 países, além de incentivar pesquisas com 5% de seu faturamento anual. Mas ele não é um caso à parte. Na Europa e nos Estados Unidos a técnica já é praticada com muito sucesso. Aqui no Brasil, empresas como Braskem, Tramontina e Petrobras já se beneficiaram desse tipo de parceria. De acordo com César, a Angelus compete no mercado pela diferenciação dos seus produtos, e a parceria com as universidades foi e tem sido fundamental para que a estratégia tenha sucesso:

“Nós temos um departamento de P&D com com pessoas: mestres e doutores que vieram de universidades de renome aqui no Brasil, e o bacana é que ter uma faculdade relacionada à empresa traz valor ao negócio. Então, perante o cenário mundial, é uma parceria que agrega uma forte credibilidade à marca.”

Quem paga por isso?

O diretor também explica que, quando o assunto é inovação, o risco é muito alto, já que não há muito bem como prever a reação do mercado após o lançamento do produto. Além disso, gastar tubos de dinheiro em estrutura para conduzir essas pesquisas dentro da empresa não é algo tão fácil para um pequeno ou médio negócio que quer inovar. Por essa razão, é necessário aproveitar dos recursos existentes no mercado.

As formas de financiamento da pesquisa são variáveis e dependem de cada caso. Elas podem ser reembolsáveis (empréstimos com baixas taxas de juros), não reembolsáveis (com maioria dos recursos financiada por terceiros, como BNDES, CNPq e Fapesp) ou de capital de risco (quando investidores aplicam o dinheiro com o objetivo de possuírem participação no capital social da empresa).

Se você se interessou pela estratégia e quer dar uma olhada em como funcionam os termos, a USP disponibiliza um manual sobre parcerias entre empresas e universidades.

A burocracia pode ser difícil de enfrentar, mas é de se considerar passar por ela, não? Ter profissionais de qualidade trabalhando ao seu lado, reduzir custos, poder contar com o auxílio das diversas modalidades de financiamentos disponíveis e, no final, poder transformar tecnologia em valor agregado para seu produto é uma proposta que vale a pena tentar explorar.

Conteúdo produzido em parceria com a Endeavor Brasil.


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