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Tue Mar 16 11:46:06 BRT 2021
Empreendedorismo | ABERTURA DE EMPRESA
Mercado PET fatura quase 35 bi ao ano e tende a crescer

Mais de 140 milhões de pets vivem hoje nos lares brasileiros. Negócios do segmento incluem desde hospedagem até cuidados com a beleza dos animais

· 12/03/2021 · Atualizado em 16/03/2021
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Cerca de 100.000 anos: este é o espaço de tempo desde que, segundo os cientistas, o ser humano e os lobos mais mansos começaram a se aproximar e interagir, dando origem a uma das relações interespécies mais ricas e duradouras que conhecemos – a amizade entre os cães e a humanidade.

Há estudos que falam em 500.000 anos desse relacionamento, que teria se iniciado no fim da Era Glacial. Já os gatos são muito mais recentes no dia a dia da humanidade: foi há mais ou menos 4.000 anos, quando as populações humanas abandonaram a vida nômade e se fixaram nas margens do Rio Nilo, que os felinos foram convidados a fazer parte das nossas vidas. E isso aconteceu por uma boa razão: com eles por perto, os roedores que invadiam celeiros e colocavam em risco os estoques de grãos não tinham vez.

Nesses milhares de anos, a relação entre seres humanos e animais passou por inúmeras transformações. E, se até poucas décadas atrás era comum que os cães fossem alimentados com restos de comida e dormissem do lado de fora da casa, em uma casinha de madeira improvisada, hoje esse tipo de tratamento é visto como demonstração de negligência e pode até configurar maus-tratos.

Elevados ao status de “membros da família”, os animais de estimação – ou pets, em inglês, como se convencionou chamá-los carinhosamente – movimentam um mercado global de R$ 130 bilhões por ano, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Euromonitor.

No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), existem mais de 140 milhões de animais de companhia, dos quais mais de 55 milhões são cães, 40 milhões são aves (tanto ornamentais, como as calopsitas, quanto passeriformes canoros, que podem ser definidos genericamente como “os passarinhos que cantam”) e quase 25 milhões de gatos. Há ainda 19,4 milhões de peixes ornamentais e 2,4 milhões de “outros animais”, categoria que engloba desde pequenos mamíferos, como hamsters, coelhos e porquinhos da Índia, até répteis e anfíbios.

Analisando esses números com lupa, nota-se a atratividade que os felinos vêm ganhando comparativamente aos cães. Ainda segundo a Abinpet, o crescimento da população de gatos mais do que dobrou em relação à de cachorros nos últimos seis anos. O número de cachorros cresceu 3,8% nesse período, enquanto o de gatos se elevou em 8,1%. Destaque também para o crescimento de outros tipos de pets, como aves (aumento de 0,5% desses animais nos lares brasileiros em 2019 na comparação com 2018) e répteis e pequenos mamíferos (crescimento de 4%).

Esse incremento da população de pets tem impactos econômicos significativos. Balanço apresentado pelo Instituto Pet Brasil (IPB) mostrou que houve alta de 4,6% nas vendas de produtos voltados ao segmento pet em 2018. O faturamento foi de R$ 34,4 bilhões, ante R$ 32,9 bilhões movimentados no ano anterior. A participação do setor representa 0,36% do PIB brasileiro e coloca o país no patamar de segundo maior mercado pet do planeta, suplantado apenas pelos Estados Unidos.

A crise teve reflexos em parte dos negócios dessa cadeia. Segundo o Sebrae, por exemplo, 72% dos pet shops sofreram redução de faturamento de, em média, 37% em meados de 2020. Mesmo assim, o setor continua atrativo a quem pretende abrir um negócio voltado aos animais. E as oportunidades vão desde cuidados básicos com animais, como banho e tosa, a serviços mais específicos, como empreendimentos voltado à alimentação animal.

Áreas do segmento

Em que áreas do segmento pet é possível atuar?

Pet care

Este segmento abrange a prestação de serviços voltados ao bem-estar animal e os produtos a eles associados. Ou seja: banho e tosa, comércio de produtos de beleza e higiene e acessórios (coleiras estilosas, roupas, bonés, meias protetoras para as patas etc.).

Incluem-se também equipamentos e acessórios para a atividade de grooming, em alta no mercado. Trata-se de um cuidado especial que se tem com a pelagem do cão e do gato. Vai além da estética, pois sua finalidade é proporcionar bem-estar ao animal. Os procedimentos de tosa ou corte que usam essa lógica proporcionam diversos benefícios, como diminuição do calor (ideal para pets com muitos pelos que vivem em regiões mais quentes), orelhas limpas, unhas bem tratadas (diminuindo machucados na região), pele mais saudável, entre outros. Além disso, é possível atuar preventivamente, uma vez que os cuidados com os bichinhos durante o processo são minuciosos, possibilitando identificar quaisquer sinais de anormalidade na pele, por exemplo. Exemplos de produtos para essa área são escovas, rasqueadeiras, cortadores de unha, secadores, hidratantes para os pelos etc. Veja como montar uma confecção de roupas para animais.

Pet shops

Cada vez mais diversificadas, as lojas de produtos para animais comercializam desde rações diversas – que atendem não só às necessidades de diferentes espécies, mas também às especificidades das diferentes raças, portes, tipos de pelagem, faixas etárias e outras características – até roupas, acessórios, comedouros, berços, brinquedos, caixas de transporte, granulados sanitários, medicamentos, produtos estéticos, livros e outras publicações de temática pet, produtos de limpeza hipoalergênicos e outras mercadorias.

Algumas pet shops agregam o serviço de banho & tosa à sua atividade comercial, com uma proposta de valor de facilitar – e muito – a vida de tutores. Isso porque dar banho e tosar um animal não é tão simples quanto parece. Dependendo da raça, do porte, da idade e até mesmo da condição psicológica de um pet, banhá-lo sem o cuidado necessário pode causar diversos transtornos - até mesmo traumas -, seja por temperatura inadequada da água, produtos impróprios para cada tipo de pele, pelo excesso de barulho dos equipamentos, entre outros.

Todo esse zelo pode ser oferecido com mais garantias em uma pet shop, sendo um chamariz para tutores que não conseguem banhar seus bichinhos em casa com todo o cuidado requerido. Por isso, é importante que os profissionais tenham formação específica para o exercício dessa atividade.

Além disso, o formato de pet shop pode proporcionar uma série de outras comodidades aos tutores, como delivery de rações e acessórios e até mesmo serviço de táxi – em que o estabelecimento busca o animal em sua casa, realiza o serviço contratado (banho, tosa, corte de unha, vacinação etc) e depois o leva de volta.

Muitas pet shops também contam com serviços veterinários, expandindo as possibilidades de atendimento a animais e tutores. Seus cuidados vão desde os mais básicos, como venda de acessórios e brinquedos, passando pela alimentação, processos de banho e tosa e alcançando consultas com médicos especializados em saúde animal. Vale destacar que a presença de um médico veterinário em pet shops é importantíssima, pois há o risco real de transmissão de doenças entre os animais que frequentam o local. Uma supervisão médica pode mitigar esse risco. Saiba mais!

Pet services: adestrador e dog walker

Tutores que não têm tempo de passear com seus animais encontram nos dog walkers a saída para esse problema. Números da Universidade de Massachusetts apontam que 40% dos donos de cachorros não os levam para passear.

Essa é uma atividade que faz bem à maioria dos cães, segundo essa mesma universidade. Os benefícios se estendem à saúde física, pois ajuda a mantê-los em forma, e à mental, uma vez que, de acordo com a pesquisa, cães que passeiam nas ruas mostram-se mais felizes depois da atividade. Ou seja, ainda que o pet conte com enriquecimento ambiental - um espaço pensado para que seja atrativo, instigante e interessante para o bicho -, a saída às ruas contribui para a sua qualidade de vida.

Para ser um passeador não são necessários grandes investimentos. Basta fazer alguns cursos na área (existem boas opções, inclusive online) e praticar bastante, para adquirir experiência na função.

Já para o adestrador, além de uma natural afinidade com os animais, também é essencial ter formação específica, o que pode ser obtido por meio de cursos e treinamentos. Ele é o profissional que educa os pets para que sejam sociáveis e tenham um bom comportamento. Com o crescimento do número de locais pet friendly (shopping centers, restaurantes, cafés, hotéis, pousadas, padarias, academias etc. têm aderido a essa política), ter um animal que saiba conviver bem com outras pessoas e bichos é fundamental para frequentar esses espaços.

Saiba mais sobre o trabalho de dog walker e também sobre o trabalho de adestrador.

Pet sitter & hotelaria

Ter com quem deixar o animalzinho durante uma viagem é uma das preocupações recorrentes entre os tutores de pets. Para suprir essa demanda, vem crescendo o segmento de pet sitter, em que uma pessoa experiente no trato com animais atua como uma espécie de “babá”. Há pet sitter para os mais variados tipos de animais, indo muito além do horizonte de cães e gatos. Coelhos, chinchilas, furões, pássaros e répteis (como as iguanas) são alguns dos pets atendidos por profissionais da área.

Há vários formatos para a prestação desse tipo de serviço: o pet sitter pode ficar com o animal em sua própria residência, solução que costuma agradar aos tutores de animais que não ficam tranquilos quando permanecem sozinhos; deslocar-se uma ou vez ao dia para o domicílio do cliente, onde realizará o necessário (limpeza das vasilhas e do ambiente em que o animal permanece, renovação de alimentos e água, passeio com os cães); ou hospedar os animais em um estabelecimento específico, os chamados “hotéis para animais”, onde são oferecidos cuidados 24 horas e instalações adequadas às necessidades de cada espécie.

Confira mais detalhes

Saúde animal

Este é o segmento mais complexo, porque requer a presença de profissionais devidamente qualificados para cuidar da saúde dos animais. Os estabelecimentos também são obrigados a obedecer normas rigorosas de instalação e funcionamento, sendo inspecionados pelas autoridades sanitárias em âmbitos municipal, estadual e até federal.

Não é simples nem barato abrir uma clínica ou um consultório para o atendimento de animais. Hoje, predominam no mercado os estabelecimentos voltados a cães e gatos, mas existe espaço para especialistas em animais silvestres e exóticos e para a oferta de serviços diferenciados, como os planos de saúde para pets, que tornam mais acessíveis serviços como a vacinação anual, as consultas de rotina, os tratamentos com especialistas (oncologistas, dermatologistas e oftalmologistas para animais, por exemplo) e as cirurgias eletivas (como a castração).

As oportunidades de atuação no campo da saúde vão além. É possível direcionar o negócio para cuidados específicos. Serviços como o de odontologia, nutrição, próteses, acompanhamento psicológico e até mesmo terapias integrativas são possibilidades de atuação. Desse nicho, em particular, desdobram-se tratamentos como homeopatia, acupuntura, reiki, constelação familiar, fotodinâmica, ondas de choque, ozonioterapia (mistura de gases de oxigênio e ozônio), floral, hidroterapia, entre outras possibilidades.

Pet food

O nicho de alimentação natural para pets também desponta como um dos assuntos em discussão entre tutores. Alternativa à ração industrializada, é uma linha de alimentos composta por carnes e vegetais selecionados, que estão alinhados às necessidades nutricionais dos animais. Os alimentos podem ser cozidos ou crus, seguindo todo o regramento de preparo para eliminação de contaminantes.

Importante frisar que muitos alimentos são tóxicos para diversos animais. Por isso, trabalhar com alimentação animal requer cuidados especialíssimos. É indispensável, por exemplo, a presença de um médico veterinário e nutrólogo veterinário no negócio, que assine como responsável técnico pelo empreendimento, pois eles são os profissionais gabaritados a construir um cardápio pertinente à realidade de cada pet.

Impacto da pandemia

Qual foi o impacto da pandemia de Covid-19 sobre o mercado pet? E como retomar as atividades de forma segura?

As Pesquisas de Impacto Setorial elaboradas pelo Sebrae revelam o que tem acontecido em termos de faturamento, demissões e principais necessidades durante a pandemia.

O Sebrae preparou um material orientativo especial para a retomada segura das atividades de pet shop. Conheça!

MEI

É possível ser MEI?

Passeador, adestrador, pet sitter, fornecedor de pet food: não há impedimento para que os profissionais dedicados a essas atividades atuem como microempreendedores individuais (MEIs). Importante, contudo, ressaltar que legalizar-se como MEI não é o único requisito para exercer quaisquer uma das atividades citadas. Para um passeador, adestrador e pet sitter, por exemplo, são essenciais capacitações que o habilitem a prestar os serviços com a qualificação requerida. No caso de empreendedores que optem por investir nos ramos de saúde e alimentação, é mandatório consultar especialistas da área (veterinários, nutrólogos, nutricionistas...) para a concepção de qualquer produto ou serviço. Além disso, existem um conjunto de normas técnicas que regem o exercício desses serviços. E esses profissionais são os mais gabaritados a atendê-las o mais plenamente possível. Saiba como regularizar a sua situação.

Ler artigo "Como abrir um MEI"


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