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Empreendedorismo
O desenvolvimento da indústria pesqueira no nordeste do Amapá
Diante das vocações econômicas do Estado, formulou-se políticas de incentivo ao desenvolvimento, visando transformar a costa amapaense em um pólo pesqueiro

A riqueza natural

No litoral nordeste do Estado do Amapá está localizado o município de Calçoene, cidade pacata com uma população estimada de 6.730 habitantes¹, cuja economia é baseada no extrativismo do ouro e na exploração da pesca. Os rendimentos recebidos por funcionários públicos aposentados compõem importante parcela dos recursos municipais.

Considerando as vocações econômicas do Estado, foram formuladas políticas públicas de incentivo ao desenvolvimento, visando transformar a costa amapaense em um pólo pesqueiro. O município de Calçoene foi escolhido como sede do pólo, graças à existência de fatores competitivos relevantes: localização privilegiada, inexistência de indústrias na região e abundância de matéria-prima – o pescado – nessa faixa litorânea do Atlântico.

Em fins de 1999 já se observava que as primeiras sementes do empreendimento haviam sido plantadas. Luiz Rodrigues e Risoleide de Oliveira Rodrigues, conhecedores do grande potencial econômico da região, incentivados pelo então secretário de Agricultura do Estado, João Bosco Alfaia, e em sintonia com os anseios da população, passaram a avaliar a oportunidade de constituir também uma indústria de beneficiamento de pescado.

Mas existiam muitas dúvidas e obstáculos a serem superados. Segundo Risoleide: “Havia um longo caminho a percorrer: como iniciar este novo negócio sem recursos? Quem poderia nos orientar quanto às questões técnicas e de gestão? Como trabalhar com uma mão de obra de baixa qualificação?”. O desafio estava lançado.

O município de Calçoene resultou da emancipação da Vila do Firmino, surgida no século XVII a partir das incursões de navegadores espanhóis, portugueses, franceses e holandeses, que procuravam metais preciosos, especialmente o ouro. As regiões auríferas do município de Calçoene foram descobertas em 1893. Os garimpeiros oriundos de várias regiões do Pará e do Brasil construíram a vila na margem esquerda do rio de mesmo nome.

A vila tornou-se um ponto estratégico para o transporte de mercadorias para a região do garimpo resultando num rápido desenvolvimento. A extração do ouro permanecia sendo a principal atividade do município, explorada por pequenos garimpeiros e multinacionais. Adicionalmente, consolidou-se na cidade uma pequena feitoria de pescadores.

O município reconhecido como tal em 22 de dezembro de 1956, possuía, segundo o censo de 2000, 6.730 habitantes, dos quais 5.271 eram moradoras da área urbana. O principal ativo encontrado nos seus 14.296 km² tem sido a abundante e rica natureza, que guarda na imensidão do mar grandes estoques pesqueiros.Sem apoio e com recursos escassos, a pesca artesanal tornava-se cada dia menos produtiva.

A indústria pesqueira

Desenvolvimento, reconhecido no Estado são: costa oceânica, desembocadura dos rios, zona estuária e planície fluviomarinha. A exploração dos recursos pesqueiras do Estado é caracterizada como artesanal. A pesca industrial concentra-se basicamente na captura do camarão-rosa. O desenvolvimento da atividade pesqueira depende fortemente da iniciativa e do investimento governamental.

O casal Rodrigues, apoiado pela comunidade de Calçoene, estudou a viabilidade econômica da criação de uma indústria de beneficiamento de pescado; para isso foram realizados estudos iniciados em fevereiro de 2000 e concluídos em 2002.

O resultado do trabalho apontava a oportunidade e a viabilidade do investimento, levando os gestores a iniciar uma longa caminhada para obter os recursos que viriam a financiar o projeto.

Muitas instituições financeiras que avaliaram o projeto exigiam garantias impossíveis de ser atendidas. Nesse sentido tornou-se imprescindível a participação do governo estadual, que, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amapá (Afap), concedeu um financiamento de R$450 mil para viabilizar o projeto.

Esse valor era suficiente para implementar o projeto em sua totalidade, cujo orçamento atingia a soma de R$ 2 milhões, mas já foi um auxilio considerável para iniciar o empreendimento com a aquisição de máquinas e equipamentos.

O casal Rodrigues possuía experiência profissional em gestão, tendo atuando em uma panificadora e em um laboratório de prótese odontológica; porém o seu conhecimento da indústria pesqueira era limitado. Foi necessário empenho e determinação na busca de ajuda para conhecer o funcionamento da cadeia de pesca, desde a produção industrial até a colocação do produto no mercado.

O SEBRAE/AP teve papel relevante desde a elaboração do projeto para obtenção dos recursos nas instituições financeiras, passando pela capacitação da mão de obra, consultorias nas áreas de tecnologia alimentar, gestão, até o design para a logomarca.

A partir de 2002, a empresa recebeu consultorias diversas e participou de eventos importantes relacionados com a comercialização do pescado no mercado nacional. “Eventos como feiras e missões foram muito importantes para alinhar a empresa à conjuntura nacional em relação a outras pesqueiras do País”, afirmou Risoleide Rodrigues.

O pescado do Amapá

A primeira indústria de beneficiamento de pescado do Amapá, a Cunhaú Indústria Pesqueira, foi inaugurada em meados de 2002. No inicio desse ano, a empresa já produzia 40 toneladas por mês, exportando para outras cidades brasileiras, como: São Paulo, Belo Horizonte, João Pessoa e Belém.

Segundo Risoleide Rodrigues: “O potencial da empresa garante que possamos buscar outros mercados para exportação”. Um dos alvos da empresa era o platô das Guianas pela proximidade com o Amapá. Mas esse sonho não foi realizado, pois era necessária a obtenção do certificado internacional, fato que dificultou o acesso da empresa a esse novo mercado.

A implantação da Cunhaú no pólo pesqueiro de Calçoene permitiu uma evolução na produção da pesca. Essa atividade, que sempre foi artesanal, ganhou traços industriais, permitindo a disseminação de uma nova forma de produzir na região e criando uma nova cultura para a mão de obra local.  “Era preciso paciência e tempo para qualificar o pessoal”, afirmou Risoleide.

A tradicional pesca artesanal cedia espaço para uma nova tecnologia pesqueira, que contava com uma estrutura diferenciada. Além do galpão com 4 mil m² de construção, formam criados: câmara de espera, sala para armazenagens, utensílios de apoio ao salão, sala de expedição de peixe fresco, lavador de bandejas, câmara de estocagem, sala de expedição e depósito de estocagem.

Diante de um quadro de especulação comercial que estia no setor pesqueiro e da necessidade socioeconômica da criação de uma empresa de beneficiamento de pescado na região, a Cunhaú se apresentou como uma alternativa viável para o município de Calçoene.

A dedicação de seus empreendedores na luta pela consecução dos seus objetivos ganhou reconhecimento de diversas instituições. Essas parcerias levaram a empresa a um grau de desenvolvimento capaz de fomentar crescimento econômico para o município.

Não obstante a importância da Cunhaú para o município e a sua contribuição para o crescimento da região, os obstáculos ainda são muitos. A empresa possui dificuldade de acesso a recursos financeiros, não conseguindo dispor de capital de giro capaz de lhe permitir manter um estoque. Com isso, a pressão exercida pelos clientes importantes de pescado força a diminuição da margem de lucro auferida.

 

Colaboradores

Gestor de conteúdos: Maikon Richardson; Design gráfico: Rauan Maia; Revisão de texto: Liliane Ramos, Camila Melo; Digitalização: Camila Melo.

Fonte: Histórias de Sucesso: Experiências empreendedoras. Macapá: Sebrae,2003

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