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Wed Jan 06 10:32:43 GMT-03:00 2016
Inovação
O consumidor é um ser mutante
O estilista Walter Rodrigues acredita que o futuro da moda está na tecnologia, pois as formas e estruturas das roupas pouco mudaram neste último século.
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Walter Rodrigues é conhecido pelos seus vestidos fluídos e longilíneos, inspirados nas silhuetas dos anos 30 e no seu fascínio pela cultura oriental.

Suas coleções são comercializadas em lojas de multimarcas em todo o Brasil, dividindo espaço com outras marcas nacionais e internacionais; no seu showroom em São Paulo, cria vestidos únicos para ocasiões especiais.

Seu interesse por criação surgiu desde garoto. Gostava de pesquisar e descobrir novos caminhos, nas artes em geral e a história do homem. Pensou em ser museólogo ou mesmo antropólogo, mas descobriu a moda, e que ela é um pouco disso tudo.

Em 1992 lançou a marca que leva seu nome juntamente com Aurea Yamashita. Hoje focaliza seu trabalho na pesquisa de novos materiais têxteis sejam eles em microfibra de poliamida ou seda com lycra.

Suas roupas são desenvolvidas pela técnica de moulage (modelagem Tridimensional), o que lhe propicia formas bem estudadas, volumes e movimentos que redesenham o corpo feminino.

Walter acredita que o futuro da moda está na tecnologia, pois as formas e estruturas das roupas, pouco mudaram neste último século.

A pesquisa é primordial para o descobrimento de novas matérias, novos tingimentos e acabamentos para impulsionar os caminhos da moda. Ele associa seu sucesso ao fato de ser uma pessoa privilegiada, pois trabalha com aquilo que gosta: “fazer pessoas felizes com suas roupas”.

Confira a entrevista:

  • 1. O design e a moda são áreas que, inevitavelmente, fazem parte do nosso cotidiano. Seja na compra de um vestuário, assim como na organização do ambiente doméstico, somos influenciados pelas transformações desse mercado. O que define essa relação entre os consumidores e o mercado de moda e design?

Walter – Esta relação pode ser definida basicamente com uma palavra: comportamento. O domínio sobre o comportamento do público-alvo gera valor, codifica e identifica uma marca, e é com base nisso que é definido todo o processo de criação de um produto, que depende de fatores referentes a uma pesquisa sobre o público alvo, tais como o seu poder aquisitivo e suas expectativas.

É esse conhecimento que determina a diferença entre um produto de marca e outro substituto.

  • 2. Mas esse comportamento vai se modificando com o tempo. Hoje se percebe que tudo está cada vez mais relacionado a movimento e informação. Para onde você acredita que caminha essa tendência?

Walter – Há um tempo atrás eu diria que esse caminho seguia para a massificação, numa tendência que se relaciona à febre de consumo por novidades, lançadas geralmente por quatro ou cinco marcas de referência, e que quando criadas, rapidamente são absorvidas pelo mercado até o ponto de saturação.

É a tendência que alimenta as lojas de departamento, que buscam integrar diversos tipos de comportamento num só ambiente. Surpreendentemente, hoje a moda parece estar seguindo para a individualidade, passando a definir, mais do que nunca, a personalidade e identidade pessoais.

A moda é feita para cada indivíduo particularmente no intuito de diferenciar pessoas, caracterizando uma espécie de revolta contra o sistema que busca sempre estabelecer padrões.

Quando a Renner, por exemplo, diz: “Você tem um estilo, a Renner tem todos”, a coleção dela é dividida por blocos, está inserido ali não só a percepção do que é aquele consumidor, mas um estilo.

Não homem ou mulher, mas surf, street, dress code de trabalho, refinado, clássico. O mundo deverá ser mais segmentado. Fortalecendo o high & low, misturar peça superbarata com peça cara. Isso é uma nova proposta de elegância, inteligência de consumo, em que você não sai inteiro uniformizado com uma só marca.

  • 3. Ou seja, devemos enfrentar a segmentação do estilo e não mais analisar uma faixa etária?

Walter – Não dá mais para falar de moda falando de faixas etárias. Eu me uso como exemplo, tenho 51 anos e uso All Star. Era da minha adolescência, dos meus ídolos. Mas quando os designers criam Converse, eles não estão pensando em uma pessoa de 50 anos que usa, fazem para o target deles, menos de 20 anos.

Mas eu uso de acordo com o meu estilo, minha personalidade. Em outra ocasião, fui para a rua entrevistar pessoas e um senhor de 67 anos disse: “Ok, eu quero um tênis bacana, mas não quero o tênis do meu neto”.

A marca precisa entender para quem está fazendo, adaptar às necessidades do nicho. Pode, por exemplo, brincar com formato e cor, mas não precisa ser igual ao do garoto de 16.

  • 4. De que forma as marcas podem adaptar a comercialização desses produtos, quais as bases mais importantes?

Walter – Vivemos uma reinvenção do varejo. A indústria já incorporou essa necessidade de ter personalidade e dizer “esse produto é a minha cara”. Por outro lado, o consumidor entende o que é bom pra ele, ele faz o trinômio bom, bonito e barato, se identifica.

O varejo está perdido nisso, principalmente o de calçados. O varejista ainda não aprendeu que recebeu uma remessa e não vendeu, precisa liquidar, se não falta espaço.

O varejo ainda é muito intuitivo, precisa ser matemático. Precisa ter estratégia. Muito do que falamos, aqui, no fórum: estratégia e planejamento. Isso gera menos erro, consequentemente mais lucro. E quando se fala de lucro todos sorriem, acham bacana.

  • 5. Qual a relação do mundo dos desfiles nesse mercado? Muitas vezes dá a impressão de que a passarela está mais relacionada à criação artística do que a realidade cotidiana da moda.

Walter – E não deixa de estar. Através dos desfiles são lançados, basicamente, conceitos e ideias que buscam conduzir pessoas a um novo caminho. Nós, estilistas, fazemos o que os artistas faziam nos grandes festivais dos anos 60.

Em cerca de quinze minutos mostramos um trabalho de cerca de nove meses, e nessa aposta, temos que dizer para que viemos, porque viemos e para onde vamos. É uma exposição tão pessoal que, geralmente, ao fim do desfile eu me sinto nu. Só tenho vontade de ir para casa e descansar.

  • 6. O que define o que é um acerto ou um erro nesse mercado?

Walter – O mercado de moda e design busca suprir basicamente um desejo pessoal. Essa capacidade é o que define os erros e acertos. Nesse ponto, é difícil lidar com as críticas, pois poucas vezes elas são contextualizadas. Geralmente parece que seguem um apelo mais emocional e menos técnico.

Também devo lembrar que antigamente o interesse pelo mercado da moda era maior. Hoje esse interesse é dividido com outros objetos de desejo como celulares, computadores, televisões.

  • 7. A tecnologia é a principal responsável por transformar os hábitos do consumo em algo mais múltiplo e divertido?

Walter – Estamos no processo. As grandes marcas do mundo, os grandes trendsetters, ainda lançam campanhas e produtos em revistas. Os novos designers estão usando muito mais a internet, temos o acesso gratuito nos blogs. Se faz um filme incrível, começa a se multiplicar, há compartilhamento.

Compartilhar é uma palavra muito moderna. Desde do início da minha carreira, o que mais levo em conta é a palavra desejo. Tem que criar o desejo. Não adianta ter um produto maravilhoso, se ele não causa vontade.

  • 8. Como você define o processo de pesquisa de moda. Como caminha a sua pesquisa pessoal?

Walter – É um processo recorrente. A pesquisa é de certa forma cíclica e vai se reinventando com o tempo. Eu, particularmente, já passei por exemplo, pelo estilo sexy, japonês e, de repente, estava apostando mais na brasilidade que, diga-se de passagem, é uma matéria-prima riquíssima de criação.

Creio que hoje eu tenho retomado mais minha pesquisa sobre o estilo oriental, mas de forma mais doce, mais sutil. É uma retomada sim, mas ao mesmo tempo é totalmente diferente, pois propõe novas soluções para um contexto que já não é mais o mesmo.

  • 9. Qual ponto você gostaria de salientar ou acredita que tenha se destacado nesse mercado?

Walter – Creio que há vários pontos na moda que deveriam ser enfatizados. Mas colocaria em destaque os avanços sobre o mercado adolescente e de terceira idade. Hoje a moda tem seu foco voltado em grande parte para o mercado adulto, mas as pesquisas indicam o poder de decisão que a classe adolescente tem exercido sobre a compra nos últimos anos.

O grupo de terceira idade também tem batido o pé e se mostrado como um grupo influente nesse mercado. São pessoas independentes, maduras e de gosto bastante definido. Voltar os olhos para esse mercado é não só fundamental como também uma saída lucrativa.

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