CONSUMO

Cenário atual do turismo em Rondônia, no Brasil e no Mundo

No só no Brasil, mas em todos os continentes, o turismo é um importante setor econômico gerador de renda e empregos.

  • Fontes

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o turismo pode ser compreendido como as atividades que as pessoas realizam durante viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras. A relevância desse segmento para a economia nacional resultou na criação, em 2003, do Ministério do Turismo, embora desde 1966, com a criação da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), já se desenvolvessem ações para fomentar a atividade turística em todo o país.

No só no Brasil, mas em todos os continentes, o turismo é um importante setor econômico gerador de renda e empregos. O relatório do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, na sigla em inglês) revela que em 2014 o setor de turismo movimentou US$ 7,6 trilhões, equivalente a 10% de toda a riqueza gerada naquele ano, e gerou 277 milhões de empregos em todo o mundo. Segundo a OMT, entre 2009 e 2013, houve crescimento de 23,2% na chegada de turistas internacionais no mundo, 28% na América do Sul e 20,8%  no Brasil. Em 2014, chegaram ao Brasil 6,43 milhões de turistas internacionais, um aumento de 10,6% quando comparado à 2013. Daquele total de chegadas de turistas internacionais, 27,1% eram provenientes da Argentina, 10,2% dos Estados Unidos, 5,2% do Chile, 4,6% do Paraguai, 4,4% da França e 4,1% Alemanha. O aumento expressivo no número de turistas estrangeiros no país no ano passado foi provocado pelo evento Copa do Mundo (Ministério do Turismo, 2015). Estima-se que o mesmo efeito deve ser observado em 2016 com a realização das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Segundo a WTTC, o setor de turismo movimentou R$ 182 bilhões ou 3,5% do PIB apenas em atividades diretas, e R$ 482 bilhões ou 9,6% do PIB incluindo atividades diretas, indiretas e induzidas, além de R$ 8,8 milhões de empregos diretos e indiretos no Brasil. Esses números colocaram o país como a 10ª maior economia do turismo em 2014, ficando atrás de Estados Unidos, China, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália, México e Espanha. As estimativas para 2015 são de que o turismo no Brasil movimentará R$ 534,6 milhões entre atividades diretas, indiretas e induzidas, e gerará 200 mil novos postos de trabalho. O relatório ainda projeta que o impacto do turismo na economia do Brasil deverá alcançar 10,3% do PIB (R$ 700 bilhões) em 2024, e que também empregue 10,6 milhões de pessoas no Brasil (9,7% do total). 

Se os números acima revelam a pujança e crescimento do setor turístico no Brasil nos últimos anos, os dados relativos ao turismo doméstico no curto prazo seguem na contramão e são pouco animadores. A pesquisa intitulada “Sondagem do consumidor: intenção de viajar” realizada em outubro de 2015 pelo Ministério do Turismo e Fundação Getúlio Vargas, em grandes cidades brasileiras, referente à perspectiva de intenção de brasileiros de viajar num horizonte de seis meses, revela que 22,4% assinalaram positivamente (8,8 pontos percentuais abaixo de outubro de 2014). Por outro lado, 84,1% daqueles que tem intenção de viajar, desejam fazê-lo para destinos turísticos nacionais (em outubro de 2014 esse percentual foi de 77,6%). A alta do dólar e do Euro deve ser o principal fator que motivou essa variação, aliada ao fortalecimento e aumento da competitividade do turismo interno. Hotéis e pousadas são as opções de meios de hospedagem de 46,8% daqueles que tem intenção de viajar (em outubro de 2014 foi 47%). A opção de uso do automóvel como meio de transporte para que tem intenção de viajar aumentou de 30,3% em outubro de 2014 para 33% no mesmo mês de 2015, enquanto que a opção pelo avião caiu de 54,2% para 49,6%, e pelo ônibus caiu 12,5% para 11,8%. Essas reduções são reflexo do cenário econômico atual ruim no Brasil, que tem estimulado a busca por opções mais baratas.

A referida pesquisa revelou também que em outubro de 2015 o Nordeste foi o destino turístico desejado para a maioria daqueles que tinham intenção de viajar dentro do país nos próximos seis meses (37,4%), seguido do Sudeste (28,3%), Sul (24,4%), Norte (6,0%) e Centro-Oeste (3,9%). Quando esses resultados são comparados com o mesmo mês de 2014, percebe-se o desejo como destino turístico reduziu pelas regiões Nordeste (4,2 pontos), Centro-Oeste (0,4 pontos) e Norte (0,1 pontos) e aumentou pelas regiões Sul (3,1) e Sudeste (1,6 pontos). Infere-se desses dados que a intenção de viajar para destinos mais próximos (Sul e Sudeste) aumentou em comparação ao ano passado, provavelmente em função do ambiente econômico desfavorável. 

O cenário geral do setor de turismo internacional no Brasil e no mundo com boas taxas de crescimento nos últimos anos, combinadas com um cenário de muitas incertezas no campo econômico interno, inclusive no turismo doméstico, tornam um grande desafio para gestores públicos e empresários do ramo, transformar as oportunidades existentes em resultados concretos. Logo, é fundamental que programas e projetos de fomento ao turismo em uma determinada região tenham claramente definido os tipos de atividades turísticas que serão oferecidas e o perfil do público alvo que estará demandando os serviços.

Em um mundo globalizado, onde se diferenciar adquire importância a cada dia, os turistas exigem, cada vez mais, roteiros turísticos que se adaptem às suas necessidades, sua situação pessoal, seus desejos e preferências. Neste sentido, a segmentação é entendida como uma forma de organizar o turismo para fins de planejamento, gestão e mercado. Os segmentos turísticos podem ser estabelecidos a partir dos elementos de identidade da oferta e também das características e variáveis da demanda. 

 A segmentação com base na oferta define o tipo de turismo que será oferecido ao visitante. Sob esse ponto de vista, o Ministério do Turismo (2006) adotou os seguintes segmentos do turismo:

  •  Turismo Social – aquelas atividades turísticas que promovem a igualdade de oportunidades, a equidade, a solidariedade e o exercício da cidadania na perspectiva da inclusão;
  • Ecoturismo - segmento do turismo que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações;
  • Turismo Cultural - atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura;
  • Turismo de Estudos e Intercâmbio - movimentação turística gerada por atividades e programas de aprendizagem e vivências para fins de qualificação, ampliação de conhecimento e de desenvolvimento pessoal e profissional;
  • Turismo de Esportes - atividades turísticas decorrentes da prática, envolvimento ou observação de modalidades esportivas; ? Turismo de Pesca - atividades turísticas decorrentes da prática da pesca amadora;
  • Turismo Náutico - atividades que se utilizam de embarcações náuticas como finalidade da movimentação turística;
  • Turismo de Aventura - movimentos turísticos decorrentes da prática de atividades de aventura de caráter recreativo e não competitivo;
  • Turismo de Sol e Praia - atividades turísticas relacionadas à recreação, entretenimento ou descanso em praias, em função da presença conjunta de água, sol e calor;
  • Turismo de Negócios e Eventos - conjunto de atividades turísticas decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo, institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico e social;
  • Turismo Rural - atividades turísticas desenvolvidas no meio rural, comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural da comunidade;
  • Turismo de Saúde - atividades turísticas decorrentes da utilização de meios e serviços para fins médicos, terapêuticos e estéticos;

Por outro lado, definir o perfil dos turistas que já visitam ou que pretendem visitar uma localidade ajuda no planejamento da oferta e diversificação dos produtos e serviços. Ajuda também a atender as expectativas dos visitantes e conseguir que retornem, ou que fiquem com uma imagem positiva da experiência que tiveram. Para isso, é importante entender o comportamento de compra e as motivações que fizeram os visitantes irem até outra cidade, região ou país. 

Os consumidores podem ser categorizados de acordo com várias dimensões, como as questões geográficas, demografia (os aspectos objetivos de uma população, tais como idade e gênero), o uso que fazem do produto, e psicografia (características psicológicas e de estilo de vida).

Para se definir o perfil do turista que se pretende atrair é necessário responder a algumas perguntas, tais como:

  • De onde vêm os turistas que hoje visitam minha região (público atual)?
  • De que outras regiões eu desejo atrair turistas (público potencial)?
  • De que outras regiões eu teria capacidade de atrair turistas?
  • Como posso atingir esses novos turistas?
  • Qual o clima da região de origem dos turistas (atual e potencial)?
  • O meu público é composto mais de homens ou mulheres?
  • O meu público é mais solteiro, casais ou famílias?
  • Qual a idade média dos turistas que desejo atrair?
  • Qual a renda média dos turistas que desejo atrair?
  • Qual o nível de educação dos turistas?
  • Quais as motivações de viagem dos turistas atuais e potenciais (descanso, conhecimento, praia, cultura, preço, interação entre a família)?
  • Eles estão dispostos a testar novos produtos ou querem algo já definido?
  • Eles viajam com frequência ou apenas de forma esporádica?
  • Que outras regiões eles já visitaram e podem comparar com o meu destino?
  • Que tipo de experiência (tipos de turismo) que este perfil de turista está interessado?

Cada segmento de consumidor pode buscar diferentes tipos de turismo, dependendo da idade, da renda ou da motivação de viagem. É importante que as respostas às perguntas estejam também condizentes com a capacidade de atendimento da localidade e/ou empresa. Pouco adiantaria a definição, por exemplo, de captar turistas de um determinado país do qual não existem voos regulares e disponíveis ao cliente para chegar à sua localidade. 

Apesar de pouco expressivo economicamente, o setor de turismo do estado de Rondônia está fortemente presente nos pequenos negócios. De acordo com o Cadastro Sebrae de Empresas (2015) são 6.785 pequenos negócios formalizados no setor de turismo no Estado, dos quais 71% (4.812) são Microempreendedores Individuais, 25% são microempresas e 4% são empresas de pequeno porte. Os pequenos negócios de turismo em Rondônia estão representados por atividades de transporte de passageiros, alojamento, alimentação, atividades fotográficas, locação de automóveis, instalação e aluguel de estandes, objetos e equipamentos, agenciamento de viagem, organização de eventos, atividades artísticas, esportivas, de recreação e de lazer, e correspondem a 29,7% do total de empresas de serviços no Estado. Os serviços de alimentação respondem por 63,4% (4.299) dos pequenos negócios ligados ao turismo, de transporte de passageiros por 12% (808) e de alojamento por 6,3% (429). 

Rondônia tem um potencial a ser explorado por ser formado por ter uma diversidade única, proporcionando aos viajantes com cenários encantadores, tais como floresta tropical, cerrado, campos naturais, serras, planícies e pantanais, além de rios com belas cachoeiras, corredeiras e praias. De acordo com a Superintendência Estadual de Turismo- SETUR/RO, destacam-se em nosso Estado o Turismo Cultural e de Negócios na Capital Porto Velho, atraindo turistas interessados em conhecer a rica história da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e a arquitetura clássica do Mercado cultural e os passeios em barcos turísticos que levam a monumental Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Porto Velho tem, ainda, vários memoriais e museus, dentre os principais: Museu Internacional do Presépio ( Comunidade São Thiago Maior) , Museu da Geologia ( Palácio Presidente Vargas) , Memorial Jorge Teixeira, Ladeira Comendador Centeno e Prédio do Relógio. As festas mais tradicionais da cidade refletem bem cultura local, são elas: “Arraial Flor do Maracujá” e o Carnaval de Porto Velho com a tradicional “Banda do Vai Quem Quer”. A cidade também dispõe de toda a infraestrutura, com aeroporto internacional e acesso rodoviário através da BR-364 o que possibilita fácil acesso.

Rondônia também se destaca com vocação para o turismo ecológico e histórico  na cidade de Guajará-Mirim, conhecida como Peróla do Mamoré, dispõe de uma área de conservação que engloba mais de 93% de seu território, oferecendo aos seus visitantes: gastronomia regional, artesanato, ecoturismo, folclore turismo histórico além do famoso Duelo da Fronteira, disputa dos “bois” Malhadinho e Flor do Campo, cheios de simbolismos, ritmos e adereços que emocionam o público. 

Outra cidade que vem despontando como “Estância Turística”, a cidade de Ouro Preto d’Oeste conta com uma excelente infraestrutura hoteleira e atrativos como o Morro Chico Mendes aonde são realizados saltos de Parapente e  Voo-livre e a prática deTrike drift. Outra experiência que se pode encontrar na cidade é o Turismo Agroambiental no Vale das Cachoeiras na tríplice-fronteira ( Ouro Preto, Teixeiropólis e Nova União).

Para os adeptos do Turismo ecológico, o Santuário do Vale do Guaporé apresenta as condições ideais para os turistas em busca de paz e sossego, ou até mesmo o turismo de aventura e pesca esportiva na região que vai de Vilhena, passando por Costa Marques e Porto Rolim, região esta com uma curiosidade interessante é a única do estado com três Biomas: Pantanal, Amazônia e Cerrado. Na cidade de Costa Marques ainde se pode encontrar uma das maiores relíquias do Brasil: O Real Forte Príncipe da Beira, sendo a maior edificação de Portugal feita fora do território português e foi construído em 1776, para marcar os limites entre o Brasil e a Bolívia. 

Por fim, percebe-se que, mesmo com um cenário econômico com perspectivas ruins no curto prazo no Brasil, o setor de turismo possui bom potencial de crescimento, especialmente o turismo internacional. Para tanto, a promoção do turismo do Estado de Rondônia deve ser construído estrategicamente sabendo o quê ofertar, para quem ofertar e como ofertar, para poder aproveitar as oportunidades que o setor turístico oferece aos pequenos negócios.

Fontes

BRASIL. Segmentação do Turismo: marcos conceituais. In: Programa de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil. Brasília: Ministério do Turismo, 2006.

BRASIL. Segmentação do turismo e o mercado. Brasília: Ministério do Turismo, 2010. 170 p.

BRASIL. Sondagem do consumidor: intenção de viagem. Brasília: Ministério do Turismo / Fundação Getúlio Vargas, Outubro 2015. 17 p.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO. Introdução ao turismo. São Paulo: Editora Roca 1ª edição, 2001. 384 p.

SEBRAE. Cadastro Sebrae de Empresas. 2015.

Superintendência Estadual de Turismo – Governo Do Estado de Rondônia. Rondônia “ O simples é o cúmulo do belo”. 2014.