AGRONEGÓCIO

Desafio da produção sustentável da piscicultura rondoniense

A produção piscícola de Rondônia vive uma fase de contínuo crescimento, fomentada pelo empreendedorismo rural característico dos produtores da região

  • Fontes citadas no texto

A produção piscícola de Rondônia vive uma fase de contínuo crescimento, fomentada pelo empreendedorismo rural característico dos produtores da região, bem como pelo apoio de organizações que visam o desenvolvimento sustentável da atividade. Este cenário conduz a percepção de oportunidades comerciais que se estendem às fronteiras rondonienses, possibilitando a busca por mercados diferenciados e exigentes. 

Em 2014, a piscicultura em Rondônia produziu 75 mil toneladas de pescado, das quais 63 mil foram de Tambaqui (84%), 11 mil foram de Pirarucu (14,6%) e o restante de outras espécies de peixe. Os municípios de Ariquemes  (13,1%), Urupá (7,5%), Mirante da Serra (7%), Cujubim (6,9%), Porto velho (6,6%), Cacaulândia (5%) e Vale do paraíso (4,6%) foram os principais produtores de pescado da piscicultura (IBGE, 2015). 

O crescimento em torno de 750% na produção de pescado entre 2010 e 2014, sem a ampliação do mercado na mesma proporção, resultou em uma situação em que a demanda nos mercados atuais ficou menor que a oferta de produto, gerando queda no preço de venda e insatisfação dos piscicultores. Nesse sentido, o monitoramento da produção e da comercialização do pescado é fundamental para se buscar maior aproximação entre oferta e demanda de produtos. O cenário econômico atual de aumento no desemprego, redução no poder de compra das famílias e aumento do dólar frente à moeda brasileira, que impacta diretamente o aumento do custo da ração animal, tem gerado um clima de descontentamento dos piscicultores com os resultados financeiros da atividade. 

Por isso, para garantir a sustentabilidade dos negócios da piscicultura em Rondônia é necessário que ações mercadológicas sejam realizadas pelo setor público e privado, para que eles ampliem os horizontes de comercialização do pescado oriundo do estado para outros estados do país e, até mesmo, outros países. Atualmente, o estado comercializa para outros 14 estados brasileiros, podendo crescer ainda mais em grandes mercados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 

O aumento do consumo de pescado dentro do estado também deve ser estimulado. Um estudo da Foccus Consultoria (2011), sob encomenda do Sebrae, estimou o consumo per capta de pescado em 2011 em 6,8 Kg/ano no estado, enquanto que o Ministério da Pesca e Aquicultura (2015) estimou o consumo nacional de pescado em 17,3 Kg de pescado per capita/ano, demonstrando que o mercado interno pode crescer muito mais. 

É preciso desenvolver mais ações mercadológicas geradoras de resultados, ou seja, aquelas que garantirão a sustentabilidade das empresas. Não se trata de deixar de lado as ações de gestão, pois elas também contribuem para a melhoria da eficiência e eficácia empresarial.  

Assim, é necessário evidenciar as ações de mercado, dando-lhes maior peso e maior prioridade nos projetos e programas implantados pelo setor público e pela iniciativa privada. Outro aspecto importante nas ações de médio e longo prazo é a diversificação de produtos com maior valor agregado, como estratégia mercadológica baseada na diferenciação, buscando-se o aproveitamento racional do pescado, inclusive de resíduos (vísceras, escamas) e partes menos nobres (cabeça, espinhaço). 

Vale ressaltar que o SEBRAE/RO, desde o ano de 2010, realiza estudos e pesquisas sobre a piscicultura para subsidiar suas ações internas e fomentar as demais instituições com informações relevantes do segmento. Com o intuito de ter uma gestão cada vez mais orientada para resultados, esses estudos se fizeram necessários para o conhecimento do macro ambiente da Cadeia Piscícola Rondoniense com a análise de suas forças e fraquezas, oportunidades e desafios, sendo de fundamental importância a assimilação e disseminação dos conhecimentos de tais estudos para entender a realidade atual e traçar os caminhos para o futuro. São eles:

a) Sondagem Preliminar de Mercados Potencialmente Adequados ao Pescado Rondoniense – SEBRAE, 2010;

b) Estudo Mercadológico da Cadeia Piscícola Rondoniense – SEBRAE, 2011; 

c) Desenvolvimento de Estratégias de Acesso a Mercado do Tambaqui Rondoniense às praças de Manaus-AM, Sorriso/Cuiabá-MT e São Paulo-SP – SEBRAE, 2012.

d) Desenvolvimento Sustentável da Piscicultura Rondoniense – foco no pescado tambaqui de cativeiro, de 2013 a 2015. 

Em face desses estudos e da necessidade de se organizar a cadeia produtiva da piscicultura, em Fevereiro de 2013 foi realizado pelo Sebrae o evento intitulado “Oficina de Elaboração Conjunta do Plano Estratégico de Ações para a Piscicultura” em Rondônia, do qual participaram diversas instituições do segmento a fim de construir  uma ferramenta para a gestão das atividades pretendidas, de modo que cada entidade, dentro de suas atribuições e competências, pôde contribuir com suas propostas de atuação e busca de soluções de forma conjunta e compartilhada (SEBRAE, 2015).  

O evento realizado teve como resultado o Plano Estratégico de Ações, dividido em temas e ações estratégicas, as quais as mais importantes estão listas abaixo:

  • ORGANIZAÇÃO SOCIAL o Fortalecimento das associações e cooperativas de piscicultores; o Apoio à organização dos produtores em redes de comercialização para busca de mercados estratégicos (foco nos pequenos produtores);
  • MERCADO o Formação de banco de dados atualizado da cadeia produtiva; o Promoção do aumento do consumo interno; o Realização de rodadas de negócios e matchmaking de apoio à comercialização; o Acesso a novos mercados com produtores organizados;
  • LOGÍSTICA o Criação de modelo logístico de distribuição no mercado nacional;
  • CAPACITAÇÃO o Aperfeiçoamento da gestão empresarial; o Formação e qualificação de assistência técnica especializada;
  • PRODUÇÃO o Planejamento/escalonamento da produção com padronização do produto; o Ampliação do processamento do pescado no estado;
  • POLÍTICAS PÚBLICAS o Aproximação das instituições de ensino e pesquisa dos piscicultores; o Implantação da Câmara Setorial da Piscicultura; o Apoio à ampliação da infraestrutura de transporte e fabricação de gelo; o Ampliação do acesso a crédito; o Apoio ao melhoramento genético do plantel, da rastreabilidade e da certificação de origem; o Elaboração de um manual de qualidade para o produtor/piscicultor focado em produção sustentável;
  • LEGISLAÇÃO o Fortalecimento do SIE / SIM / SIF; o Adesão do Estado e prefeituras ao SUASA e SISBI – POA;  o Elaboração do plano diretor da piscicultura do estado. 

Por fim, como resultado natural da não observância dos riscos apontados nas pesquisas anteriores, Rondônia hoje se encontra mais uma vez diante de problemas para o escoamento da sua produção, especialmente da produção de Pirarucu de cativeiro. O que se pode observar é a descontinuidade das ações de estímulo ao segmento, com muitas ações desconexas e esporádicas que não convergem para que se alcance o resultado esperado para a cadeia piscícola como um todo. Do outro lado há um descontentamento dos piscicultores locais que não enxergam com bons olhos os incentivos oferecidos pelo Estado diante da falta de retorno dos investimentos realizados. A implementação dessas estratégias de fato é o grande desafio para garantir a sustentabilidade da piscicultura no estado de Rondônia.  

Fontes citadas no texto

IBGE. Pesquisa Pecuária Municipal: Produção da aquicultura, por tipo de produto. Brasília: Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA. Disponível em <http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?c=3940&z=p&o=28>. Acesso em: 14 dez. 2015. 

Ministério da Pesca e Aquicultura. Balanço 2013 Pesca e Aquicultura. Brasília: 2015. SEBRAE. Desenvolvimento Sustentável da Piscicultura Rondoniense – Foco no Pescado Tambaqui de Cativeiro. Porto Velho: Foccu’s Consultoria, 2015. 

SEBRAE. Estudo Mercadológico da Cadeia Piscícola Rondoniense. Porto Velho: Foccu’s Consultoria, 2011.  

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