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Empreendedorismo | EMPREENDEDOR
Empreendedorismo afrodescendente: confira desafios e oportunidades

O empreendedorismo afro é um campo que carrega várias oportunidades. Entenda o contexto e veja quais são os principais desafios vividos pelos empreendedores

· 16/09/2021 · Atualizado em 16/09/2021
Imagem de destaque do artigo

O empreendedorismo afrodescendente surgiu no Brasil como uma forma de contornar a ausência de oportunidades e de igualdade entre raças. Em um cenário de pós-abolição, homens e mulheres recém-libertos precisaram se reinventar para conseguir sustento e emprego.

Ainda hoje, mais de 130 anos após, vemos algumas consequências disso. Segundo pesquisas internas, 44,5% dos afrodescendentes criam um negócio por causa da falta de emprego. Lado a lado, apenas 28% dos homens brancos precisam fazer o mesmo. Logo, quando falamos da área, falamos, novamente, da desigualdade racial e social.

Fato é que, mesmo com todos os desafios, esse é um mercado em ascensão no Brasil. Pensando nisso, preparamos um artigo especial para explorar um pouco mais desse cenário. Confira!

O que é o empreendedorismo afrodescendente?

O empreendedorismo afrodescendente (ou de sobrevivência) surge em um cenário de pós-escravidão. Mais especificamente, da luta de homens e de mulheres pretas em busca de conseguir sustento.

Com o passar dos anos, na ausência de emprego em outras áreas, foi necessário que o mesmo povo se tornasse dono de pequenas e microempresas. Vale ressaltar que todo esse processo aconteceu com muita luta, desigualdade e injustiça. Não foi da forma romantizada que vemos muitas vezes.

Pelo contrário, pretos e pardos vivenciaram e ainda vivenciam muitas dificuldades no Brasil. Paralelamente, décadas e séculos passaram; o milênio mudou. No entanto, o empreendedorismo afrodescendente continuou sendo uma forma de sobrevivência. Foi só recentemente que houve uma ressignificação positiva da área. Isto é, a transformação do que era considerado como antiquado em um estilo de vida. Um exemplo disso são as tranças, um símbolo de resistência na cultura africana.

No passado, elas foram associadas à sujeira e ao desmazelo. Hoje, ganharam mais alcance da representatividade através de pessoas como a atriz Thais Araújo ou as cantoras Isa e Ludimila, disseminando-as como uma forte tendência de moda.

Sendo assim, é preciso ter clareza de que o empreendedorismo afrodescendente surge associado a dois propósitos. O primeiro é de oportunidade, ou seja, de oferecer oportunidades para um povo até então marginalizado. Já o segundo é de empoderamento, de empoderar e colocar em evidência uma cultura que, muitas vezes, foi, também, ignorada.

Como ele está no Brasil?

Segundo dados coletados pelo IBGE, cerca de 54% dos brasileiros em 2017 eram pretos ou pardos. Em contraponto, eles movimentavam apenas 24% da economia, ou seja, R$ 1,6 trilhão do PIB brasileiro. Até 2020, a expectativa era de que esse número subisse mais de sete pontos graças ao empreendedorismo afrodescendente.

Um ponto de atenção é que os negros são a maioria da população desde 2010. Entretanto, como revelado pelos dados acima, ainda vivemos em um país com marcas da desigualdade entre raças — mais que isso, guiado, muitas vezes, pelo racismo estrutural, pela violência contra corpos negros e outros problemas que não deveriam ocorrer. 

Em simultâneo, infelizmente, devido à pandemia, o percentual de pretos e pardos donos de empresas diminuiu de 18% para 15%. Além disso, 76% dos negros revelaram que reduziram parte do faturamento devido a tudo que vivemos. Isso sem falar que, dessa porcentagem, apenas 12% conseguiu crédito em bancos para ajudar com as dívidas (contra 18% dos brancos) durante a crise.

O possível motivo para isso? O mesmo citado anteriormente. O racismo estrutural, que existe e é um fator agravante no desenvolvimento social, econômico e político de um povo. Nesse contexto, o protagonismo perde espaço, dificultando ainda mais a ascensão de um grupo. Para mais, é importante mencionar que o perfil de empreendedores da área divide-se em três:

  • necessidade (34%);
  • vocação (35%);
  • engajamento (22%).

Ou seja, para pretos e pardos, ser empreendedor muitas vezes deixa de ser uma escolha. Portanto, os próprios motivos para empreender, vistos como uma oportunidade, podem, também, tornar-se os maiores desafios para a área.

Quais são as oportunidades do empreendedorismo afrodescendente?

O empreendedorismo afrodescendente está mudando. Parte disso graças as lutas e programas sociais, ao aumento de renda da população periférica e ao impacto da chegada ao mercado de trabalho dos primeiros beneficiários pelas cotas em universidades. Como consequência, a cultura africana está se tornando motivo de orgulho e de reconhecimento da ancestralidade. Isto é, o orgulho do próprio povo negro, que se empodera a partir da sua cultura e enaltece o seu valor para a história.

Um exemplo disso é a nutricionista Kyzzy Barcelos Barbosa Rodrigues, que transformou o seu estudo de nutrição em um quilombo em um negócio lucrativo. No Kynutryzzy, espaço de venda de refeições e lanches saudáveis, mais de 50 porções são vendidas por semana. Parte do seu sucesso é graças ao que aprendeu durante a sua pesquisa. Outro exemplo é o caso de André Luís Ramos, tatuador com formação nacional e internacional, que viu na arte uma forma de ganhar dinheiro. Aos 15 anos (hoje com 30), somente com experiência em grafite, ele fez a sua primeira tatuagem. De lá para cá, muita coisa mudou.

Do garoto do grafite a um dos maiores tatuadores de Votuporanga, interior de São Paulo, com um traço fino e realístico, André Ramos, como é conhecido, é uma das referências na área. Outro case que chama atenção é a marca DaMinhaCor com toucas de natação e maquiagens criadas para pretos e pardos.

Como dito, a cultura africana vem sendo ressignificada. Alimentação inspirada em quilombos, cabelo afro em destaque, toucas de natação — os exemplos são variados. O mercado da área carrega consigo uma gama de áreas de atuação e de mercados de trabalho que precisam e devem ser explorados.

Quais são os seus principais desafios?

Quando falamos do empreendedorismo afrodescendente, falamos do racismo econômico. Cerca de 68% dos pretos e pardos são MEIs, contra 49% dos brancos. Lembrando que a maior parte deles empreende por necessidade, não por escolha. Da mesma forma, eles estão em áreas que lidam diretamente com o consumidor final, não em posições de liderança e/ou em setores mais intelectuais.

Salões de beleza, loja de roupa, maquiadoras etc., os exemplos são variados. Além da falta de oportunidade, existem também aqueles que sofrem racismo nos seus empregos, com a recusa de atendimento, a violência verbal ou com os salários menores. Vale mencionar que, em 2019, os negros ganhavam salários, em média, 27% menores que os brancos.

As diferenças são ainda mais discrepantes quando comparamos homens brancos com mulheres negras. Segundo esse mesmo estudo, enquanto 44,42% dos homens brancos compõem a parcela da população que recebe mais de 20 salários mínimos, as mulheres negras são apenas 10,1%.

Por outro lado, quando tratamos de receber meio salário mínimo, as mulheres negras são 37,11% dessa estatística, contra 11,1% dos homens brancos. Novamente, o racismo se manifesta de várias formas, desde a recusa às opções de crédito em banco até as pessoas que não querem ser atendidas por um preto ou pardo.

Assim sendo, os desafios mais comuns se tornam a dificuldade de gerir finanças de um modo eficiente e a carência de apoio no planejamento e na administração de negócios. Simultaneamente, conforme dados coletados pelo IBGE, em 2019, quatro a cada dez jovens negros não haviam completado o Ensino Médio. Isso sem falar que, em média, 37% dos pretos e pardos têm uma renda de R$ 2.000 a R$ 4.999 por mês.

Por que investir no empreendedorismo afrodescendente?

O empreendedorismo afrodescendente será uma tendência nos próximos anos — não só em um sentido de inclusão e de representação social, mas como fatia do mercado. Vale lembrar que mais de 50% dos brasileiros são negros. Desse modo, a área vem sido vista como uma forma de empoderamento de um povo antes marginalizado e como a criação de novas oportunidades.

Um exemplo disso é a Feira Preta. Em 2019, antes de pandemia, cerca de 35 mil pessoas participaram do evento, com 170 expositores. Assim como os 34% dos negros que empreendem por necessidade, a feira também surgiu como uma forma de driblar a falta de empregos.

Adriana Barbosa, que, em 2017, foi eleita uma das pessoas negras mais influentes do mundo, criou o evento como uma forma de revolução. Ora em um sentido de empoderar pessoas pretas e pardas, oferecendo oportunidade e formas de ganhar dinheiro, ora como modo de criar um meio de valorizar a cultura de um povo. O projeto surgiu, inicialmente, com o propósito de mapear o afroempreendedorismo, no entanto, passou a ser algo maior: um espaço de troca, aprendizado e recomeços.

É justamente por tudo isso que o empreendedorismo afrodescendente se mostra como uma oportunidade. Por ter nascido de uma falta, ele compreende os anseios de um povo e busca oferecer algo além. É um investimento necessário nos dias atuais, que cumpre e completa uma demanda constante de um povo de ser valorizado.

Mais que isso, é uma forma de reconhecer, inspirar, valorizar a negritude e criar pertencimento. O Movimento Black Money, com muitos pontos em comum com a Feira Preta surge com este propósito: unir e empoderar os negócios de pessoas pretas.

Como vimos ao longo deste artigo, o empreendedorismo afrodescendente é uma oportunidade de mercado. Isso porque surgiu das dores de um povo e adapta-se para empoderar uma parcela da população antes marginalizada. Mais que isso, cria nos seus produtos e serviços uma revolução para promover a igualdade e a descentralização econômica e resolver outras problemáticas dos dias atuais.

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